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Retorno presencial

Como será o ano de 2022 para a educação?

Especialistas sustentam que enfrentaremos uma cauda longa da pandemia, de aproximadamente 5 anos, para recuperar o tempo perdido

Publicado em 29 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 dez 2021 às 02:00
Haroldo Corrêa Rocha

Colunista

Haroldo Corrêa Rocha

Na educação, Vitória também foi pioneira no enfrentamento à pandemia. Isso porque foi a primeira cidade da Grande Vitória a estar com estudantes presencialmente em sala de aula.
Estudantes em aula presencial em Vitória Crédito: Jansen Lube/Prefeitura de Vitória
O ano de 2021 chegou ao fim, sob o signo e o sucesso das vacinas, que rapidamente mostraram sua eficácia e impuseram a lenta, gradual e, parece irreversível, queda de casos de contaminação e mortes. A educação básica no segundo semestre retomou as atividades presenciais com três prioridades fundamentais: acolher emocionalmente os professores e estudantes, reiniciar de forma gradual as atividades de ensino e aprendizagem e empreender um grande esforço com as famílias para garantir que não houvesse elevados índices de evasão escolar.
O segundo semestre foi importante para a readaptação de professores e estudantes ao trabalho presencial e para testar a nova geração de estratégias e metodologias pedagógicas do pós-pandemia.
Como será o ano de 2022? Possivelmente será o primeiro ano completo de atividades presenciais depois de dois anos de pandemia. Especialistas sustentam que enfrentaremos uma cauda longa da pandemia, de aproximadamente 5 anos, para recuperar o tempo perdido e desenvolver na geração de crianças e jovens afetadas em 2020/2021 as competências e habilidades próprias das suas faixas etárias e do seu período escolar.
Será um grande desafio para as equipes gestoras das escolas, professores e famílias. A união e a colaboração das famílias e escolas serão fundamentais para superar os desafios que serão enfrentados pelos estudantes.

IMPORTÂNCIA DA TECNOLOGIA

A tecnologia será uma importante aliada da educação. Os professores e estudantes aprenderam durante a pandemia a usar a tecnologia digital para apoiar e potencializar a aprendizagem. Sepultou-se o mito de que a tecnologia iria substituir os professores. Afastou-se um “inimigo” que impedia o desenvolvimento da educação.
A tecnologia passou a ser vista como uma ferramenta facilitadora do trabalho dos professores e potencializadora da aprendizagem dos estudantes. Por outro lado, foi reforçado o papel da escola como polo de conectividade, devendo os estudantes estarem conectados desde as suas residências. Há a necessidade de realização de significativos investimentos com o objetivo de garantir que as crianças das famílias mais pobres tenham equipamentos e conexão doméstica para um processo contínuo de aprendizagem.
As escolas e os professores deverão reforçar sua conexão física e relacional para além da sala de aula, tanto com o entorno das escolas como com as famílias.
A tecnologia será um facilitador do novo modelo de educação, mas o maior desafio será enfrentado pelos professores, que terão que continuar se superando, como fizeram durante a pandemia. Três novas frentes de trabalho se apresentam aos professores: a implementação dos novos currículos construídos a partir da Base Nacional Comum Curricular; a recuperação da aprendizagem não desenvolvida durante a pandemia, o que irá exigir uma atenção mais personalizada a cada estudante; e, por fim, a criação de um novo modelo de escola capaz de dar conta dos desafios do século XXI.
Um fato positivo é que a pandemia levou a sociedade e as famílias a formarem uma nova percepção sobre o relevante e decisivo papel dos professores para se ter uma educação de qualidade.
Cabe aos sistemas públicos de ensino dar integral apoio aos professores, para que eles possam cumprir com sucesso a sua nobre missão de desenvolver as competências e habilidades das futuras gerações de brasileiros.
Que venha 2022! As crianças vão precisar da dedicação e da energia boa dos professores!

Haroldo Corrêa Rocha

É coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, ex-secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo e ex-secretário de Educação do Espírito Santo (2007/2010 e 2015/2018)

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