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31 de janeiro

Um dia de sacerdotes e de mulheres guerreiras

Conheça a história de João Melchior Bosco, mais conhecido como Dom Bosco (1815-1888), e de duas mulheres capixabas que merecem destaque

Públicado em 

31 jan 2022 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Dom Bosco
João Melchior Bosco, mais conhecido como Dom Bosco (1815-1888), fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales Crédito: Reprodução
Hoje, dia 31 de janeiro, comemora-se no calendário católico o falecimento de João Melchior Bosco, mais conhecido como Dom Bosco (1815-1888), um sacerdote católico italiano, fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales e proclamado santo em 1934. Aclamado por João Paulo II como o "Pai e Mestre da Juventude", é o padroeiro da capital federal do Brasil, Brasília, pois sonhou com sua criação cem anos antes de ela existir.
Seguidor da espiritualidade e filosofia de São Francisco de Sales, Dom Bosco era um fervoroso devoto de Nossa Senhora Auxiliadora. Além de padroeiro dos jovens, Dom Bosco é, também, o patrono dos mágicos e ilusionistas, pelas técnicas que utilizava para atrair os jovens para a educação.
A Sociedade de São Francisco de Sales, os Salesianos, ordem criada por ele, em 1859, espalhou-se pelo mundo todo como educadores cristãos. Interessante é que São Francisco de Sales (1567-1622), doutor da igreja, bispo de Genebra, atuante no período da contrarreforma, é o padroeiro dos escritores. Escolhido como modelo por Dom Bosco, por sua fortaleza espiritual, era um nobre da aristocracia do reino de Saboia, teve educação aprimorada e culta. Parece que os Salesianos optaram por essa educação e para esse público, e não a das crianças pobres, como queria Dom Bosco. Enfim, é a história. Igreja e poder se associam desde sempre. Padres Júlios Lancelottis são aves raras nesse universo.
Sobre mulheres guerreiras, destaco duas delas, que nasceram no dia 31 de janeiro: Florcinda da Conceição, minha avó, e Ester Abreu, atual presidente da Academia Espírito-santense de Letras. Florcinda da Conceição nasceu em Conceição do Muqui, em 1913 e faleceu em 1969. Era descendente de indígenas puris miscigenados com negros fugidos da escravidão e vivia nas terras compradas por meu avô, um imigrante italiano, no vale do rio Itabapoana. Quando ele a viu, ainda menina, se encantou por ela e decidiu que a queria como esposa. Sem poder fugir ao destino de menina pobre, ela relutou por muito tempo, mas acabou cedendo ao dono das terras e de suas vidas.
Casou, teve seis filhos com ele, foi sua esposa servil por 35 anos e morreu, de câncer nos rins, com 56 anos, mas parecia muito mais. No dia em que morreu, ainda fez o almoço dele, foi para o quarto e lá foi encontrada morta, em silêncio, como vivera toda a vida. Conversava muito com ela, e comigo ela se abria. Contava-me suas dores e tristezas, enquanto fazia seus crochês com as mãos tortas de artrose. Com o pouco dinheiro que conseguia dessa atividade, deu um pouco de instrução às filhas, pois meu avô não permitia às mulheres estudar. “Para quê, dizia ele? Só serve para escrever cartas pros namorados”. Ao morrer, meu avô deixou os bens para os dois filhos e nada para as filhas. Elas só tiveram direito a uma máquina de costura, aos 15 anos, que, segundo ele, lhes bastava para viver.
Diferentemente de minha avó, que morava na casa em frente à dela, Ester Abreu marcou sua vida pela educação. Teve uma mãe professora primária e esse também seria seu destino, se Ester não fosse a mulher destemida, que enfrentou todas as barreiras para ter um futuro brilhante como o que ela construiu. Saiu de sua provinciana Muqui para estudar nos centros maiores e, na Capital do nosso Estado, foi uma das primeiras alunas do curso de Letras Neolatinas, já casada e com filhos pequenos.
É professora há maios de 70 anos, tendo lecionado para milhares de alunos, em todos os graus de ensino. É professora emérita da Ufes e ainda continua atuando no PPGL, dando cursos e orientando teses e dissertações. Publicou vários livros de ensaios, crônicas, poesias, e é referência mundial na literatura ibero-americana. Pertence a várias associações culturais, possui centenas de trabalhos publicados no Brasil e no mundo, é a escritora que mais publicou nas Revistas do IHGES e da AEL. Se ainda não lhe deram, senhores deputados, por favor, lhe deem a Comenda Maria Ortiz, o símbolo da mulher guerreira capixaba.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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