Geralmente, se diz que brasileiro lê pouco porque livro é caro. Não é bem assim. Há livros caros, regulares e baratos, como todo produto cultural. Pode-se encontrar bons livros a R$ 10, ou menos, nas lojas virtuais, mas a média de preço de um livro de cento e poucas páginas é de R$ 50.
Se for lançamento ou um volume com mais de trezentas páginas, o preço vai de R$ 70 pra cima. Infantil também é mais caro, pois exige cores e melhor qualidade. Enfim, há de tudo para todos. Certa vez, estava em um congresso de leitura, em Brasília, e resolvi ver os preços dos livros da Editora do Congresso. Gostei de um, mas achei caro, pois custava R$ 120. O vendedor me disse que, para ele, não era caro. Perguntou minha profissão, disse que era professor. Ele respondeu: "Então é caro mesmo". Conversamos sobre salários e ele ganhava três vezes mais do que eu como técnico do Legislativo. Assim caminha a humanidade... entre altos e baixos salários.
Há mais de um século, o jovem Castro Alves (1847-1871) escreveu o poema “O Livro e a América” que todos de minha geração sabiam de cor: “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros à mão cheia.../ E manda o povo pensar!/ O livro caindo n’alma/ É germe - que faz a palma,/ É chuva - que faz o mar”.
Desde que me tornei professor, há 50 anos, tenho tentado formar leitores e aproximar o livro do jovem, tarefa cada vez mais difícil. Antes, era a falta; hoje, o excesso. Existem ações de órgãos públicos que tornam o livro mais acessível ao leitor. Em Vila Velha, por exemplo, todas as escolas possuem bibliotecas e bibliotecários atuando como mediadores de leitura entre livros, professores e leitores.
A Prefeitura de Vitória apoia a Academia Espírito-santense de Letras, desde 2007, a publicar livros de autores e obras capixabas para distribuição gratuita aos interessados. Dia 20, agora, teremos o lançamento de cinco livro e de duas revistas, na Biblioteca Adelpho Poli Monjardim, às 19h. Se você gosta de ler, compareça e pegue os seus exemplares.
Nasci no Caparaó, uma das regiões de menor IDH do estado; estudei numa escola rural sem livros, sem biblioteca, sem merenda, sem uniforme, sem material escolar gratuito e, no entanto, recebi uma boa educação, pois tive excelentes professoras: Dona Penha, que me alfabetizou, Dona Antônia, Dona Arlene, Dona Aparecida, jamais me esquecerei de todas elas, de sua dedicação aos alunos, do carinho que tinham por nós, pobres crianças sem smartphone, Google, tevê, tablet, como as crianças de hoje, que têm tanto, mas, a quem, muitas vezes, lhes falta a atenção dos pais atribulados com a vida louca dos tempos internéticos.
Crianças não precisam só de engenhocas eletrônicas que os pais lhes dão para as manter ocupadas, enquanto trabalham ou se divertem. Elas precisam, sobretudo, de carinho e de atenção. De gente que as ponha no colo e lhes conte histórias. De um abraço apertado, de um beijo babado e de tempo para ouvi-la, ao ser-lhe perguntado: “Como foi o seu dia hoje?”
Adultos precisam se desconectar do mundo virtual e se ligar ao mundo real, do contato físico, do olho no olho, das mãos nas mãos. Aproveitem as férias e levem os filhos para passear, sem o celular. Não há necessidade de tirar fotos para postar e mostrar aos amigos virtuais a imagem de família feliz. Vá à praia ou ao parque para brincar com eles, sem parar para posar.
Registre na memória sua e na deles os momentos que viveram, sem compartilhar com ninguém. Só vocês. E, ao chegar a casa, não ligue a Netflix, nem pegue cada um a sua maquininha de ilusões; faça como os pais de antigamente: conte histórias, um bom pretexto para conversar sobre a vida e as suas relações conflituosas.
Fale com eles sobre a sua infância, de quando não havia rede social e as pessoas eram felizes de verdade, sem precisar postar a felicidade para alguém ver. Bastava viver. E era muito bom. Feliz Natal e um 2024 mais desconectado das máquinas e mais ligado às pessoas. Mais humano e menos tecnológico.