Leonencio Nossa, nascido em 1975, em Vitória, formado em Comunicação Social pela Ufes, é um dos mais importantes jornalistas investigativos brasileiros da atualidade. Dentre as suas obras publicadas estão "Mata! O Major Curió e as guerrilhas no Araguaia", a mais completa investigação sobre esse triste e até então mal contado episódio de nossa história, "Homens invisíveis, O rio: Uma viagem pela alma do Amazonas e Viagens com o presidente".
Em 2019, publicou a primeira parte da biografia de Roberto Marinho com o título de "O poder está no ar. Do nascimento ao Jornal Nacional". Após essa publicação e a polêmica que a gerou, Leonencio publicou "As guerras da independência do Brasil". Agora, em 2025, sai a segunda parte da biografia de Roberto Marinho, intitulada "A Globo na Ditadura. Dos Festivais às bombas no Rio Centro". Até o final do ano, virá a lume, também, a biografia de Guimarães Rosa, um dos escritores de sua paixão, ao lado de Clarice Lispector.
Com as suas obras e reportagens especiais, Leonencio Nossa conquistou duas vezes o Prêmio Esso de jornalismo e cinco vezes o Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Sua biografia de Roberto Marinho, bem como os outros livros que escreveu, são baseados em anos de muita pesquisa independente, em arquivos do país e do exterior.
Para realizar esse trabalho sobre Roberto Marinho, o autor gastou doze anos de pesquisa e, com rigor, destrincha os limites de um jornalista e empresário, o maior deles, talvez, no ramo da comunicação. Neste ano, em que a Globo completa cem anos de existência, a obra de Leonencio é essencial para se compreender o papel exercido pela mais importante rede de comunicação brasileira e permanecer no ar, desde que saiu do jornal impresso para as ondas do rádio e da TV.
Conheço o Leonencio há mais de trinta anos, quando era um jovem universitário apaixonado pela literatura e me procurava para orientá-lo nos livros que lia e nos textos que escrevia. Lembro-me de que, naquela época, iniciava a escrita de um romance. Recomendei-lhe que esperasse o amadurecimento seu e da obra para o publicar. Espero que ele não tenha desistido do projeto de fazer literatura ficcional, embora isso não seja mais tão importante, visto que os livros que publicou pertencem ao jornalismo literário, gênero que poucos jornalistas conseguem fazer.
Sua mãe, residente em Vila Velha, sempre o recomendava que me mostrasse seus textos antes de os publicar, coisa que ainda faz, algumas vezes. Não foi o caso dessas volumosas biografias de Roberto Marinho, que envolveram tanta pesquisa e informação, e que li com extraordinário prazer.
Aguardo, ansioso, a do Guimarães Rosa e imagino que deve estar preparando o terceiro e definitivo volume da biografia de Roberto Marinho. Leonencio Nossa, como bom capixaba, é modesto, discreto, e nem lançamento de suas obras faz em Vitória, o que é uma pena, pois possui aqui amigos verdadeiros, do seu tempo de Ufes, e outros que poderia angariar, se fosse mais conhecido pelas novas gerações. Como sempre, o Espírito Santo pouco valoriza seus maiores escritores e, sem dúvida alguma, Leonencio Nossa é um deles.