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Meio ambiente

Fauna e flora únicas estão sendo exterminadas sem dó nem piedade no ES

Principalmente em Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa Teresa e Santa Leopoldina, onde ainda existe a maior parte da reserva natural de Mata Atlântica preservada, o desmatamento está ocorrendo com força

Publicado em 06 de Junho de 2022 às 02:00

Públicado em 

06 jun 2022 às 02:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

Polícia Militar Ambiental realiza Operação Curupira II em Santa Teresa com apoio do Idaf
Polícia Militar Ambiental realiza Operação Curupira II em Santa Teresa com apoio do Idaf Crédito: BPMA / IdafBPMA / Idaf
No domingo (5), comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, sé é que há algum motivo para comemorar. Essa data foi criada em 1972, portanto há exatos 50 anos, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, ocorrida em Estocolmo. Esse dia tem como objetivo principal chamar a atenção da população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados, por muitos, inesgotáveis.
Nessa conferência, que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo, iniciou-se uma mudança no modo de ver e de tratar as questões ambientais ao redor do mundo, além de serem estabelecidos princípios para orientar a política ambiental em todo o planeta. Apesar do grande avanço que representou, não podemos afirmar, no entanto, que todos os problemas foram resolvidos a partir daí.
Em nosso país, a partir da assunção ao governo do atual presidente, leis ambientais foram supressas, a fiscalização ambiental arrefeceu e o estímulo ao garimpo ilegal em terras preservadas foi a tônica. Tudo pelo agronegócio. É preciso desmatar para produzir alimentos, diz a atual política expansionista.
Só que esses alimentos só enriquecem mais ainda os exportadores, seduzidos pelos dólares e a desvalorização do real, enquanto milhares de brasileiros passam fome, estão desempregados ou se viram como podem. E podem pouco.
O desmatamento na Amazônia, em 2021, foi o pior dos últimos dez anos, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os dados divulgados por esse instituto apontam que mais de 10 mil quilômetros de mata nativa foram destruídos no ano passado, um crescimento de 29% em relação a 2020.
Entre janeiro a dezembro de 2021, foram destruídos 10.362 km² de mata nativa, o que equivale à metade do Estado de Sergipe. Esses dados alarmantes foram divulgados, após análise realizada pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, instituto que monitora a região por meio de imagens de satélites.
E aqui, em nosso pequeno e belo Estado, a situação não está melhor. O desmatamento da Mata Atlântica que ainda resta tem se intensificado nos últimos anos. Entre 2018-2019, foram desmatados 13 hectares e em 2019-2020, 75 hectares, um aumento superior a 400%, informações do Atlas da Mata Atlântica, dados pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Tenho andado pelo interior capixaba e, principalmente nos municípios de Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa Teresa e Santa Leopoldina, onde ainda existe a maior parte da reserva natural de Mata Atlântica preservada, o desmatamento está ocorrendo com força. Loteamentos clandestinos surgem em toda parte, sem maior fiscalização das prefeituras. Nascentes são aterradas criminosamente, para se passar estradas para condomínios.
Ou seja, desde o afrouxamento da legislação ambiental desse governo criminoso, liberou geral. Fauna e flora únicas estão sendo exterminadas sem dó nem piedade. Dia desses, vi um pequeno cervo vermelho, correndo desesperado pela estrada, perdido, e, certamente, terminou nas brasas de churrasco de desalmados caçadores.
Pacas, tatus e capivaras sumiram. Preguiças, antes tão comuns, nos pés de embaúba, desapareceram. Macacos bugios foram exterminados pela febre amarela e pela maldade humana. Os pequenos sauís são atropelados por carretas e carros apressados. Enfim, só podemos lamentar os desastres ambientais cada vez mais frequentes, secas no Pantanal e no Cerrado, enchentes no Norte e no Nordeste, o ser humano não melhora a sua relação com o meio ambiente. Ou cuidamos dele ou não sobreviveremos.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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