O Hino à Bandeira Nacional foi composto por Olavo Bilac, jornalista, contista, cronista e, principalmente, poeta parnasiano brasileiro, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e um dos escritores mais lidos, citados e declamados de sua época. Os modernistas diminuíram-lhe um pouco o brilho, mas seu nome se imortalizou como o autor da letra do Hino à Bandeira Nacional e como Patrono dos Reservistas. Sim, foi ele o idealizador do serviço militar obrigatório, necessário à época em que foi criado, mas não nos dias de hoje.
É preciso acabar com esse alistamento militar obrigatório dos jovens aos 18 anos. Carreira militar deve ser somente para profissionais. Talvez precisemos pensar um serviço civil obrigatório. Ao final do ensino médio ou do superior, todo jovem deveria dedicar um tempo obrigatório para servir as comunidades, ajudando aos mais necessitados.
Fiz isso no Projeto Rondon no tempo dos militares, e foi uma experiência que me marcou, indelevelmente. O que vi e vivi no sertão do Ceará mostrou-me a realidade de nosso país tão grande, tão rico e tão socialmente injusto. Hoje, não precisamos ir ao Ceará, basta sair de casa ou da frente das telas dos celulares para enxergarmos a miséria que nos rodeia.
A música do Hino à Bandeira foi composta por Antônio Francisco Braga, compositor, regente e professor de música no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. O Hino à Bandeira foi feito a convite do prefeito Pereira Passos, do Rio de Janeiro, e apresentado, pela primeira vez, em 1906. A partir daí, o hino foi adotado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, passou a ser cantado em todas as escolas do Rio, e, aos poucos, foi incorporado pelos militares e pelas outras unidades da Federação.
O dia 19 de novembro passou a ser o Dia da Bandeira Nacional, que deve ser hasteada, solenemente, nas repartições públicas, ao som do Hino à Bandeira. Nós, estudantes do passado, sabemos cantar o Hino à Bandeira, bem como vários outros, pois isso era uma prática corriqueira nas escolas de antigamente.
Para quem não conhece, eis o começo da letra: “Salve lindo pendão da esperança, Salve símbolo augusto da paz! Tua nobre presença à lembrança / A grandeza da Pátria nos traz. / Recebe o afeto que se encerra em nosso peito juvenil, / Querido símbolo da terra, / Da amada terra do Brasil!/ Em teu seio formoso retratas / Este céu de puríssimo azul, / A verdura sem par destas matas, / E o esplendor do Cruzeiro do Sul”.
O Hino à Bandeira serviu para popularizar a própria bandeira como símbolo nacional, já que muitos republicanos de primeira hora, como José do Patrocínio e Silva Jardim, não a viam como símbolo republicano. Houve pouca alteração na bandeira da Monarquia, visto que as cores verde e amarela eram representativas das casas dinásticas dos Bragança, D. Pedro, e dos Habsburgo, D. Leopoldina, nossos primeiros imperadores.
Essas cores, na visão de muitos republicanos, não representavam a diversidade étnica e cultural brasileira. José do Patrocínio propunha as cores vermelha, para representar os povos indígenas, branca, para representar os colonizadores europeus, e preta, para simbolizar os afro-brasileiros. E estava certo! No entanto, a bandeira ficou e o hino conquistou a população brasileira, passando a ser importantes elementos de integração nacional.
Agora, mais de cem anos depois de sua adoção pelo povo brasileiro, a bandeira nacional não pode ser mal-usada como símbolo de um partido político, o PL, de uma ideologia, o nazifascismo, e de um líder da extrema-direita, o capitão cloroquina. A bandeira brasileira é símbolo de uma nação com 215 milhões de habitantes, diversa e multicultural. É antidemocrático, ilegal, irracional e patético brasileiros inconformados com a derrota eleitoral nas urnas usarem um símbolo nacional para fechar ruas, rodovias e pontes, cantarem o hino nacional para pneus, acamparem em frente a quartéis, esperando intervenção militar. Precisam é de intervenção psiquiátrica, já!