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Literatura

Abril é especial para nós, escritores e leitores

Parabéns aos escritores, aos bibliotecários e, sobretudo, aos leitores, sem os quais não faz sentido escrever

Publicado em 07 de Abril de 2025 às 02:30

Públicado em 

07 abr 2025 às 02:30
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro
T. S. Elliot (1888-1965), poeta inglês de origem norte-americana, publicou, em 1922, “A Terra Devastada”, sua obra-prima. Pelo conjunto da obra, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1948. Nesse livro, ele afirma: “Abril é o mais cruel dos meses, germina lilases da terra morta, mistura memória e desejo, aviva, agônicas raízes com a chuva da primavera”.
No hemisfério norte, abril equivale a outubro, para nós. E o tempo refletido no poema é o pós-primeira guerra, com a Europa devastada, “terra morta”, brotos ressurgindo com a chuva da primavera. “O mais cruel dos meses” refere-se à memória, o passado ruim, e o desejo de vida que renasce. Para nós, abril é mês de outono, que se iniciou em março, tempo de frutas, de colheitas (do café, do milho, do feijão), após o calor intenso do verão. Portanto, nada do “horrível” abril ellioteano.
Sempre gostei do outono em nosso hemisfério, desse período que vai de março a junho, após o calor infernal do verão, ou das chuvas torrenciais que costumam provocar desastre e inundação. Em abril, após as “chuvas de março fechando o verão”, poucas, neste ano, a natureza nos brinda com os frutos, os pássaros entram no período da muda, silenciam-se e se alimentam com as sementes dos campos e os frutos do outono, que os fortalecerão para uma nova temporada de reprodução, quando vier a primavera. E ela virá, certamente, enquanto o planeta não for totalmente destruído pela insanidade humana liderada por Trump e Putin, ou outro maluco qualquer.
Abril é especial para nós, escritores e leitores, pois carrega quatro datas significativas ao universo dos livros e dos leitores. Dia 2, comemorou-se o dia internacional do livro infantil, em homenagem ao nascimento do genial escritor dinamarquês, Hans Christian Andersen, o pai da literatura infantil. Quem não se deliciou com as histórias de “O patinho feio”, “A pequena sereia”, “O soldadinho de chumbo”, “A pequena vendedora de fósforos” e tantas outras?
Andersen escrevia para crianças com palavras e sentimentos a ela adequados, sem suavizar a realidade ou pasteurizar as emoções. Falava de amores impossíveis, da miséria, de incapacidade física, da vaidade e de tudo que é humano, bom ou ruim, de uma forma que todos entendiam, adultos e crianças. Não à toa, é o maior herói da Dinamarca, um dos países mais desenvolvidos do mundo e a maior atração de Copenhagem é a estátua da pequena sereia, no porto.
No dia 9, comemoramos o Dia Nacional da Biblioteca, cujo papel social, além da disseminação da informação, é o da inserção das comunidades ao conhecimento e em suas práticas. Num país como o nosso, em que o livro não circula nas famílias mais pobres, e em que a maioria das cidades não possui livraria, a biblioteca, seja escolar, seja comunitária, tem papel importante na formação do leitor e do cidadão.
Lembro-me da importância que teve na minha formação a Biblioteca Dr. Custódio Tristão, em Guaçuí. Passei lá muitas horas da adolescência, lendo o precioso acervo distribuído pelo SNL (Serviço Nacional do Livro), extinto pelo famigerado Collor, que o Diabo o carregue. A Biblioteca Municipal de Vitória foi muito importante na formação do escritor José Carlos Oliveira, conforme relatos que deixou.
18 de abril é o dia do nascimento de Monteiro Lobato, o criador da literatura infantil brasileira. Lobato recriou o imaginário da criança brasileira com o seu Sítio do Pica-pau Amarelo e seus personagens antológicos: Pedrinho e Narizinho, Emília e suas aprontações, dentre tantos outros. Trouxe o Saci para o centro da narrativa folclórica e uma lembrança da Cuca que nenhuma criança esqueceu. Lobato nos ensinou a brasilidade, com todas as suas nuances, até a do racismo, para pensarmos nossa (de)formação cultural.
E, por último, o dia 23, dia mundial do livro e dos direitos autorais, em comemoração ao nascimento de Shakespeare, Cervantes e Garcilaso de la Vega. Parabéns aos escritores, aos bibliotecários e, sobretudo, aos leitores, sem os quais não faz sentido escrever.

Francisco Aurelio Ribeiro

Francisco Aurelio Ribeiro Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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