Após seis anos, o Partido Socialista de Portugal teve seu Orçamento de Estado reprovado. Conforme já era previsto, a Assembleia da República de Portugal votou contra a proposta do orçamento para o exercício de 2022. Não deu certo a aliança com a esquerda, quando os partidos como o Bloco de Esquerda e o PCP (Partido Comunista), numa espécie de “puxadinho”, também conhecida como geringonça aqui em Portugal, dava maioria ao PS (Partido Socialista) para governar - criou-se, assim, uma crise política sem necessidade.
Embora muitos analistas portugueses entendam que essa reprovação do orçamento pode ter sido de caso pensado pelo primeiro-ministro, Antonio Costa, o fato é que a governabilidade do país está em risco. Aproveitando disputas internas nos partidos de centro e direita, o primeiro-ministro viu a oportunidade de ter maioria absoluta para governar, sem o incômodo, mas necessário, apoio do PCP, tradicional aliado do PS. No fundo, o PCP bem que tentou empurrar uma pauta com reivindicações nada orçamentárias, só que desta vez não deu certo.
Agora as atenções se voltam para o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que já havia declarado que, caso o orçamento não fosse aprovado, convocaria novas eleições para janeiro de 2022. Na prática, existe a pressão de um lado para que as eleições sejam marcadas para mais tarde e, assim, a direita teria mais tempo para se reorganizar, já que os dois partidos, o PSD e o CDS, estão em disputa interna de lideranças e com o próprio PS, para o qual o quanto antes as eleições forem realizadas, melhor será o seu desempenho eleitoral.
É bem verdade que tudo isso é em tese. O fato é que Portugal arranjou para si, uma crise desnecessária. Num momento de recuperação econômica, o país estava prestes a receber 16,6 bilhões de euros da União Europeia, através do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), só recebeu uma primeira parcela e as demais estão suspensas por conta do orçamento. Por outro lado, não podemos esquecer que a pandemia ainda não terminou.
Sem orçamento, boa parte dos investimentos será travada, pois o governo terá que administrar o país por duodécimos, o que na prática é a divisão do orçamento de 2021 por 12 parcelas. A palavra agora é do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que convocará novas eleições em 2022, em data a ser definida. A ver.