Na última semana, participei de uma banca de um trabalho de conclusão de curso na Ufes, e o tema ressaltou uma percepção que eu tinha, mas até então estava meio morna: alguns valores dos capixabas vêm mudando rapidamente. O trabalho apresentado versava sobre o posicionamento de marca do restaurante Ilha do Caranguejo: a figura do caranguejo e a culinária capixaba como elementos de aproximação da identidade cultural no marketing digital na comunicação.
Apresentado pelo aluno do curso de Comunicação Social Marcus Vinicius Nascimento, o trabalho deixou bem claro como uma marca de um simples restaurante pode se apropriar de valores da identidade cultural do nosso Estado.
Fico com a impressão que aos poucos vamos vencendo aquela máxima de que santo de casa não faz milagres. O conceito de capixabismo vai penetrando no tecido mais mole e assertivo do marketing: a publicidade. Uma busca da auto-valorização de tudo produzido por capixabas, sua história, o resgate das tradições, da culinária, e a amplificação dos valores que utilizam elementos imersos nessa cultura.
Governos e empresas têm frequentemente ressaltado esses valores, como orgulho de ser capixaba, feito no Espírito Santo, capixabear e por aí vai. A publicidade é uma ferramenta da comunicação importantíssima na construção do conhecimento e da informação. Através de conteúdos persuasivos é possível imaginar como o consumo e os hábitos das pessoas são impactados. Identificar e analisar até que ponto é possível fazer leituras semióticas de anúncios publicitários e seus possíveis desdobramentos é sempre um grande desafio.
Numa visão mais semiótica, o movimento "capixabismo" vai deixando aos poucos de ser uma estratégia pura de marketing, entrando na categoria da ciência geral dos signos e dos fenômenos culturais e seus sistemas de significações. De uma forma geral, o signo tem o mesmo significado da linguagem, isto é, algo que significa alguma coisa.
A semiótica é a ciência que tem a missão de investigar tudo e todos. Num estudo comparativo com as implicações do marketing e as relações da sociedade de consumo, particularmente, no entendimento das relações existentes entre a publicidade e as aspirações das sociedades baseadas no sistema de consumo.
Em tempos em que tudo é fortemente influenciado pela tecnologia e pela prática diária e intensiva da internet, a leitura dos conteúdos publicitários faz-se cada vez mais necessária, de forma crítica, sem fantasias e imprecisões. Assim, falar simplesmente que é capixaba já toma outro significado. Não são só marcas falando ou se apropriando do valor “ser capixaba”. São principalmente os próprios capixabas, vivenciando a sua identidade cultural, com seus erros e acertos.
Aos poucos o capixabismo deixa de ser um movimento de fora para dentro e torna-se pauta de valor intrínseco de dentro para fora. Onde leituras e significados são elementos indissociáveis da relação humana.