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Economia

Invasão da Ucrânia tem impacto em Portugal e abre caminho para o Brasil

Portugal já procura seus parceiros para suprir os produtos básicos que deixará de importar dos dois países em guerra. E encontra no Brasil sua principal opção

Públicado em 

11 mar 2022 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Agricultura usará cada vez mais máquinas
Brasil tem oportunidade de exportar milho para Portugal Crédito: Pixabay
Outro dia um amigo me perguntou qual era a distância entre Portugal e Ucrânia. Respondi pesquisando no Google que era de 4 mil quilômetros, aproximadamente. Pois é, no fundo ele queria saber se estamos suficientemente distantes para não corrermos algum risco do ponto de vista militar. A possibilidade de Portugal se envolver militarmente na guerra entre a Rússia e a Ucrânia é muito pequena. Melhor dizendo, é quase nula. Apesar de fazer parte da Nato/Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Portugal é um país de tradição conciliadora e estrategicamente distante do centro dos acontecimentos da guerra.
Mas o que significa economicamente essa guerra para os portugueses? Ainda nem saímos da pandemia e temos que enfrentar os efeitos econômicos de uma guerra na Europa. A Europa depende muito do petróleo e gás da Rússia. Entretanto, Portugal importa somente 10% do gás russo e é muito dependente da importação de milho da Ucrânia. De momento, o principal efeito é o aumento da gasolina e do diesel. Fato que atinge praticamente todo o mundo, e Portugal não é exceção à regra.
Para contrabalançar o aumento dos preços dos combustíveis, o governo português criou um mecanismo de devolução de 20 euros por mês, para os que abastecerem seus carros e desejarem se cadastrar, informando o seu número de contribuinte fiscal. Na prática, o governo devolve com uma mão e mais tarde pega de volta com a outra.
Falando em Nato, voltando no tempo, é curioso que na conferência de dezembro de 2019, na cidade de Londres, reafirmava-se no seu encerramento a solidez da aliança entre os Estados-membros. Apesar de ter sido desprestigiada pelo então presidente dos Estados UnidosDonald Trump, a conferência já apontava como estratégico o diálogo com a China e Rússia.
De lá para cá, a diplomacia internacional funcionou muito pouco. Nesta última semana, o que vimos foi a confirmação do fracasso diplomático, ausência de diálogo e a imposição dos interesses da Rússia ao invadir um país vizinho. É bom sempre lembrar que a Ucrânia fez parte da União Soviética. É um país relativamente jovem e tem um histórico de conflitos com os territórios vizinhos.
Mas, voltando à seara econômica, Portugal já procura seus parceiros para suprir os produtos básicos que deixará de importar dos dois países em guerra. E encontra no Brasil sua principal alternativa, para compensar sua necessidade de importar o milho. Talvez possa ser uma oportunidade para que os dois países se aproximem mais com parcerias comerciais robustas e duradouras.
Apesar dos laços existentes entre Portugal e Brasil, o comércio externo entre os dois países está muito aquém do desejado. Segundo dados da Fazcomex, em 2020 Portugal ocupou a 35ª posição no ranking de exportação do mercado brasileiro.
Outra questão importante aqui em Portugal é a inflação. Apesar de ter subido bastante em 2021 em boa parte da Europa, a inflação portuguesa era uma das mais baixas da zona do euro. Entretanto, os dados de 2022 demonstram um aumento significativo e, neste mês de março, em função do impacto do aumento dos derivados do petróleo e da energia, os números poderão ser surpreendentes. A taxa de inflação em fevereiro foi de 4,2%, bem acima dos 3,3% verificados em janeiro. Os preços estão subindo ao ponto mais elevado da década.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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