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Pandemia

Final da Champions em Portugal foi futebol para inglês ver

Ao ter aceitado as condições de presença de público, Portugal se curvou diante das exigências da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), dando mau exemplo para as próprias regras criadas para conter a pandemia

Públicado em 

04 jun 2021 às 02:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

Jogadores do Chelsea celebram o título da Champions League
Jogadores do Chelsea celebram o título da Champions League Crédito: Reprodução/Getty Images
A cidade do Porto foi o palco da final da Liga dos Campeões entre os clubes ingleses Manchester City e Chelsea, no estádio do Dragão, no último sábado (29), vencido pelo Chelsea por um a zeroPortugal foi escolhido como sede para o evento, após a Turquia ter sido barrada por conta da pandemia no país.
Ao ter aceitado as condições de presença de público, Portugal se curvou diante das exigências da Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), com a participação de pouco mais de 15 mil torcedores e tantos outros sem ingressos espalhados pela cidade do Porto. Isso ocorreu semanas depois do fim do campeonato português e da final da Taça de Portugal. Em ambos os casos, não foi permitida a presença do público nos estádios.
Ao anunciar a presença de público na final da Champions League, o governo português garantiu que os torcedores ingleses ficariam por pouco tempo em território nacional e que seriam protegidos por uma espécie de “bolha”, que não havia com o que se preocupar, no que tange ao risco elevado de contágios pelo coronavírus. Parece que não foi bem o que aconteceu, porque a bolha não chegou nem a estourar por nunca ter existido.
O governo agiu com pesos diferentes em relação à final da Liga e com as finais dos campeonatos portugueses. Até porque, pelo fato de proibir público no jogo em que o Sporting se sagrou campeão, permitiu que milhares de torcedores, sem poderem ir ao estádio, ficassem sem nenhum controle em Lisboa, sem serem submetidos às regras que estão em vigor por conta da Covid-19. Não se pode afirmar se esta foi a causa, mas os números de novos infectados na região de Lisboa voltaram a crescer nas últimas semanas e já representam metade dos casos de contágios de Portugal.
Portugal está neste momento prestes a deixar a presidência do Conselho da União Europeia e queria deixar uma boa impressão de sua gestão. Infelizmente, não foi o que aconteceu para os portugueses. A população portuguesa está longe dos estádios há mais de ano e viu nessa atitude do governo uma discriminação com o futebol português, uma condescendência com a UEFA e ainda um mau exemplo para as próprias regras criadas pelo mesmo governo para conter a pandemia.
Outro ponto a ressaltar foram os distúrbios causados pelos torcedores ingleses na cidade do Porto. O fato é que, de alguma forma, uma desconfiança foi criada e será mais difícil a partir de agora o governo e a direção geral da saúde fazerem com que os portugueses voltem a cumprir as regras de forma integral e sem questionamentos. E, quanto à partida da final da Champions, teria sido mais lógico que fosse disputada na Inglaterra. Dois clubes ingleses. Futebol pra inglês ver.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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