Mesmo com as restrições de entrada no país, escassez de voos entre o Brasil e Portugal e os riscos econômicos de uma transferência para outro país, os brasileiros diminuíram o ritmo, mas não param de solicitar vistos para o território português. É claro que, por conta da proximidade cultural existente e da língua em comum, existem interesses econômicos que permitem a entrada de brasileiros para estudo, trabalho ou mesmo por questões familiares. Na prática, só os turistas estão impedidos de entrar no território português.
Com o arrastar da pandemia por praticamente todo o ano de 2020, o número de brasileiros vindo para Portugal caiu menos do que se esperava. Muitos retornaram ao Brasil pois perderam os seus empregos, e a fragilidade das relações de trabalho muitas vezes não garantia direitos trabalhistas e os auxílios financeiros oferecidos pelo governo.
A quantidade de brasileiros em situação legal em Portugal realmente é gigantesca. A população brasileira residente no país, depois de quatro anos seguidos de crescimento, diminuiu em 2020, segundo o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). São 183 mil brasileiros com autorização de residência, ou seja, em situação legal. Segundo o SEF, os brasileiros mantêm-se como a principal comunidade estrangeira residente no país. Dos 117,5 mil títulos de residência emitidos por Portugal em 2020, 41,99% foram para brasileiros, o que representa aproximadamente 36% do total (em 2019 representava quase 38%).
Entretanto, nos primeiros meses de 2021, o número de pedidos para vistos para autorização de residência não para de crescer. Segundo o Ministério da Administração Interna, mais de 3.700 pedidos de vistos foram solicitados. O governo português estuda simplificar e informatizar o sistema de emissão de vistos, visando agilizar o processo tanto para os vistos iniciais quanto para as renovações. Essa reforma passa pela atualização e transformação do próprio SEF no SEA (Serviço de Estrangeiros e Asilo).
Ainda é cedo para sabermos se os brasileiros continuarão a migrar no mesmo ritmo para Portugal. De qualquer forma, a economia e o mercado português precisarão como nunca de imigrantes para a retomada econômica, que infelizmente poderá ser longa e sofrida.