Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

"Novo normal"

Estamos vivendo hoje confinados na nossa caverna-office

Se a pandemia durar muito, não lembraremos mais como são os colegas de trabalho, clientes, amigos e familiares. Todos se transformaram em imagens nas telas dos computadores do home office, nas lives e nas reuniões virtuais

Públicado em 

11 jul 2020 às 05:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

Trabalho em home office
Trabalho em home office devido à pandemia mudou nossas relações sociais Crédito: Pixabay
Em o mito da caverna, Platão narra diálogo onde Sócrates diz para Glauco imaginar prisioneiros acorrentados, desde a infância, em uma caverna, de costas para a entrada. Uma fogueira atrás projeta, na parede em frente a eles, as imagens de pessoas e coisas que passam do lado de fora. Com muito tempo ali, a realidade para eles são aquelas imagens e não mais o que acontece de verdade atrás deles. Quando um deles se liberta, tem dificuldade de entender o que se passa.
Nós vivemos hoje confinados na nossa caverna-office. Se a pandemia durar muito tempo, não lembraremos mais como são os colegas de trabalho, clientes, amigos e familiares. Todos se transformaram em imagens e sons do zoom nas telas dos computadores do home office, nas lives e nas reuniões virtuais da família e dos amigos. A realidade agora é digital e de vez em quando alguém fica com a imagem borrada ou com a voz deturpada pelas redes precárias que usamos, quando não desaparecem simplesmente com conexões perdidas, como se Platão tivesse apagado a fogueira.
Quando finalmente sairmos, poderemos ter a sensação de ter participado de um filme como "Matrix" ou "Show de Truman", onde a realidade foi comandada por Bill Gates, Sergey/Page ou o chinês do Zoom.
Mas essa realidade paralela não acontece só agora na caverna-office. O mundo das redes sociais criou universos paralelos ou bolhas daquelas projetadas para permitir vida em Marte. Cada grupo vive sua ideologia e sente em relação aos das outras bolhas um ódio platônico (para não trocar de filósofo), que pode chegar às vias de fato, se houver manifestações presenciais no mesmo local e hora.
As realidades distorcidas pela fogueira ideológica projetam sombras na forma de fake news, teorias conspiratórias, textos com autores improváveis, estatísticas tortas e discursos de ódio replicados sem o mínimo cuidado de verificar autenticidade.
O fato é que essa caverna-office obrigatória, com seu potencial de desestabilizar emocionalmente qualquer um, amplia a oportunidade de se dedicar às discussões das redes com mais rancor ideológico, entre cloroquinas e ivermectinas, isolamentos verticais ou horizontais, protocolos e aberturas, TVs contra ou a favor e globalismos e queimadas.
Nessa hora, ficamos mais parecidos com nossos antepassados trogloditas em suas cavernas, muito antes de Platão.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Confira os resultados da Copa Verão de Kart
Imagem de destaque
Muro desaba, atinge casa e tomba escavadeira em Jerônimo Monteiro
Imagem de destaque
Psicóloga Fabiana Malheiros assume Secretaria das Mulheres no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados