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É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque. Escreve aos sábados

Einstein, eclipse e a educação no interior do Ceará: exemplo para o Brasil

O sucesso demonstrou, na prática, que poucos recursos não é desculpa para educação ruim. Uma boa gestão, com persistência, faz uma enorme diferença. Einstein certamente aplaudiria

Publicado em 27/06/2020 às 05h00
Atualizado em 27/06/2020 às 05h00
Alunos em sala de aula
Educação no Brasil. Crédito: Joel Silva/Folhapress

Em 29/5/1919, a população de Sobral, no Ceará, presenciou um eclipse total do Sol. Mas não um eclipse qualquer. O fenômeno, cujo melhor ângulo, no mundo, para sua observação seria ali, trouxe uma equipe de cientistas ingleses que comprovaram, pela primeira vez, a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, consolidando uma das maiores revoluções da história da ciência.

Sobral, modestamente, propiciou que Einstein, até então pouco conhecido, ganhasse fama mundial. Ele comemorou comprando um violino novo (tinha preferência por tocar Mozart) e, compreendendo o impacto histórico de que as leis de sir Isaac Newton já não governavam todo o universo, escreveu: “Newton, perdoe-me”, registrando o momento.

Agora em que há uma nova ênfase na educação científica e matemática com a competição globalizada, devemos prestar atenção na sua opinião sobre a escola: “Comentários críticos de estudantes devem ser recebidos amigavelmente. A vantagem competitiva de uma sociedade não virá da eficiência com que a escola ensina multiplicação e tabela periódica, mas do modo como estimula a imaginação e a criatividade. A imaginação é mais importante que o conhecimento”.

Após 101 anos de um dos maiores momentos da ciência, com certa inspiração cósmica, Sobral desponta como o maior sucesso em resultados para educação no Brasil. Com 208 mil habitantes, a cidade ganhou projeção nacional pelo rápido crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), indicador de desempenho da educação brasileira. Em dez anos, a nota da cidade nos anos iniciais do ensino fundamental passou de 4,9 para 9,1, a mais alta de todo o Brasil.

Os resultados motivaram outros 18 Estados (inclusive o Espírito Santo), apoiados pela ONG Todos Pela Educação, nesse modelo fortemente estruturado na alfabetização na idade certa, na valorização do profissional da educação, na gestão eficiente da escola (diretores são escolhidos por mérito, sem indicação política ou eleição) e na formação continuada dos professores. O Ceará criou, inclusive, um sistema inédito de distribuir parte do ICMS de acordo com os indicadores de educação dos municípios.

O sucesso demonstrou, na prática, que poucos recursos não é desculpa para educação ruim. Uma boa gestão, com persistência, faz uma enorme diferença. Einstein certamente aplaudiria.

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