A madrugada do último domingo (25) foi marcada por um intenso tiroteio ocorrido na região de Gurigica, em Vitória. Uma das terríveis consequências foi a morte de um paciente de 68 anos, que estava internado em um hospital na Avenida Leitão da Silva. Uma bala perdida matou a vítima com um tiro na cabeça. A sensação de insegurança gerada pela morte de um idoso em pleno leito de hospital ficou ainda mais acentuada em razão dos inúmeros vestígios de disparos encontrados no local. Veículos e prédios da região foram alvejados indiscriminadamente.
Cenas como as aqui narradas, infelizmente, têm sido observadas com certa frequência nos grandes centros urbanos do nosso país. Traficantes de drogas, seja pela disputa por territórios, seja objetivando repelir a ação das forças de segurança, têm aterrorizado os moradores das grandes cidades.
Obviamente, não há solução fácil ou receita de bolo para lidar com esse fenômeno. Além da existência de policiais (ostensivos e investigativos) bem treinados e bem equipados, é fundamental que os estados possuam políticas públicas bem estruturadas, capazes de oferecer, sobretudo aos jovens, alternativas ao lucro fácil ofertado pelo tráfico.
Acesso ao esporte, estudo de qualidade, qualificação, oportunidades de trabalho e saúde são políticas fundamentais para que o cenário de violência não seja uma realidade permanente nos grandes centros. Aqui no Espírito Santo, o Programa Estado Presente tem cumprido bem esse papel, alcançando importante e consistente redução no índice de crimes letais intencionais ano após ano.
Por parte da Polícia Federal, podemos afirmar que historicamente temos realizado grandes e bem-sucedidas investigações que objetivam desmantelar organizações criminosas que se dedicam ao tráfico de armas e drogas. Esse trabalho, aliado à descapitalização dessas mesmas organizações, é fundamental para que cenas como as do último domingo não mais ocorram.
Além disso, atento e sensível ao cenário de violência observado em muitos centros urbanos brasileiros, o diretor-geral da PF, alinhado às políticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, já autorizou o reforço (inclusive com envio de recursos para pagamento de diárias de policiais) de todas as forças-tarefas do país. Cada Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) tem a importante missão de atuar investigando, prendendo e descapitalizando os membros de organizações criminosas que se dedicam aos crimes violentos.
Aqui no Espírito Santo, a FICCO tem contribuído para retirar das ruas armas, drogas e, sobretudo, criminosos que levam o terror aos cidadãos capixabas. Apenas para se ter uma ideia, nos últimos dois meses 15 criminosos foram presos após investigações realizadas pela força-tarefa que, atualmente, conta com o trabalho integrado de representantes da PF, PRF, Polícia Civil, Polícia Penal e de todas as Guardas Municipais da Grande Vitória (essa presença, aliás, característica exclusiva da FICCO capixaba).
Com união de esforços e com a consciência de que o fenômeno da violência não será eliminado apenas com polícias, mas com políticas estruturantes que ofereçam alternativas às pessoas que vivem em comunidades com maior vulnerabilidade, vamos avançar na construção de um Estado mais pacífico, com mais oportunidades e igualdade social.