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Proteção

Três lições que compartilho após receber o diagnóstico de Covid-19

Do ponto de vista científico, ser infectada depois da vacinação é uma vantagem. Nosso organismo já conhece o vírus e consegue formular uma resposta de defesa muito diferente e mais robusta

Publicado em 23 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 dez 2021 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

Além de vacinar nas unidades de saúde, município também realiza ações em terminais e shoppings
Em 2021, começamos a maior campanha de vacinação já feita até o momento em nosso país Crédito: PMS/ Divulgação
Mais um Natal chega e estamos ainda em uma pandemia. Natal é sempre tempo de um balanço do ano. Independentemente de nossas crenças religiosas, a forma como contamos o tempo nos remete ao fechamento do ciclo nessa época de festas.
Ainda que o tempo tenha diferentes conotações e seja vivenciado de formas distintas, nossa sociedade conta esse tempo em segundos, minutos, horas, semanas, meses e anos. Assim vamos colecionando nossas histórias e construindo nosso viver no mundo.
2021 foi um ano desafiador. Aprendemos muito. Começamos a maior campanha de vacinação já feita até o momento em nosso país e no mundo, desde a grande campanha para erradicação da varíola. Dividimos esse tempo com pessoas que negaram a ciência e a vacina, que contribuíram para espalhar desinformação e que foram certamente responsáveis pela perda de muitas de vidas.
No entanto, também estivemos ao lado de grandes veículos de imprensa que auxiliaram a combater a desinformação, pesquisamos ao lado de muitos cientistas que trabalharam nessa pandemia – e ainda trabalham - e que auxiliando a população a tomar as melhores decisões sobre suas vidas e protegê-las durante esse período. Enfim, se 2020 foi o ano da pandemia, 2021 entra para nossa história como o ano da vacina!
Enquanto escrevo, ouço uma música natalina em uma feira de natal vindo da janela do meu quarto. Estou em Baltimore, nos Estados Unidos, e recebi o diagnóstico de Covid-19 em um exame de rotina para o retorno no voo de volta da companhia área, exigência feita para entrada no voo. Caso essa exigência não existisse, eu entraria no voo e poderia contaminar outras pessoas, pois não tinha sintomas. Em virtude disso, minha estada teve que ser alterada e o Natal teve rearranjo de planos.
Faço questão de compartilhar essa experiencia para que você que me lê possa entender meu sentimento. Em minha coluna anterior, falei do tempo que ganhamos fazendo todas as medidas de prevenção, até que tivéssemos vacinas para essa doença. Agora, enquanto escrevo, sou a prova concreta do tempo que ganhei. Talvez, se tivesse me infectado em 2020, ou antes de receber minha vacina, o resultado poderia ter sido outro. Inclusive com sequelas. No entanto, ao planejar a vigem para os Estados Unidos, com meu esquema vacinal completo e minha dose de reforço adiantada em virtude da viagem, estava em uma situação de muito mais proteção do que em qualquer momento anterior.
Do ponto de vista científico, ser infectada depois da vacinação é uma vantagem. Nosso organismo já conhece o vírus e consegue formular uma resposta de defesa muito diferente e mais robusta. Temos que agradecer às vacinas por essa possibilidade. Não desenvolver sintomas ou ter sintomas muito leves é a vitória da vacina contra o vírus.
variante denominada de Ômicron, que tem inúmeras mutações na proteína Spike (a parte do vírus que foi utilizada para desenvolver vacinas) a possibilidade de infecção mesmo em vacinados é grande. Ainda assim, até o momento, os casos em vacinados são leves e a infecção se concentra mais nas vias áreas superiores (nariz, garganta) que nos pulmões.
Há, inclusive, alguns cientistas que acreditam que a Ômicron pode ser o caminho para o vírus ser endêmico, o que significaria o controle da pandemia. Aquela combinação entre vírus e sistema imunológico, que se fosse uma conversa poderia ser traduzida assim: “Você não me mata e eu causo apenas uma doença leve em você”. Outros cientistas, por sua vez, consideram que ainda é cedo para sabermos isso.
Escrevendo do meu isolamento, retomo três lições que quero dividir com vocês.
A primeira: a importância do passaporte vacinal. Fui apenas a locais que exigiam o passaporte vacinal. Isso significa que ele não funciona? Ao contrário, significa que sem ele estaríamos muito mais inseguros. Com ele, nossas chances de infecção são muito menores, mas não inexistentes, como toda ação em saúde. Algumas pessoas vacinadas podem ter se infectado, e por serem assintomáticas ou apresentarem sintomas leves, não saber que contraíram o vírus.
Isso nos leva ao segundo aprendizado: a importância da testagem. Enquanto ainda mantemos um número grande de pessoas não vacinadas e que permanecem infectando e mantendo o vírus circulando, um programa de testagem em empresas, escolas e locais de grande circulação de pessoas é fundamental.
A combinação de passaporte vacinal e testagem amplia a biossegurança no controle da Covid-19. Orientar as pessoas para procurar o teste e fazer isolamento em caso de sintomas ou teste positivo será um complemento importante nessa nova fase da doença.
Terceiro aprendizado: a importância da vigilância epidemiológica dos casos positivos. Um sistema que use tecnologia de informação que possa avisar às pessoas que estiveram nos mesmos lugares que alguém que testou positivo será sem um avanço para que possamos quebrar a cadeia de transmissão. Alguns países estão adotando esse modelo pelo sistema de telefonia: você recebe uma mensagem para que faça o teste, porque alguém que esteve no mesmo lugar que você testou positivo. É o futuro da vigilância em epidemiologia de doenças infecciosas, e esperamos que o Brasil cresça nessa direção.
Enquanto ainda estivermos na pandemia, continue se cuidando mesmo vacinado. Já sabemos que mesmo quando infectados, a carga viral (quantidade de vírus) a que se é exposto influencia a doença. Estar de máscara é importante para, caso nos infectarmos, termos menos carga viral, bem como estando vacinados, inclusive para contaminar outras pessoas. Portanto, máscara e vacina salvam!
Fecho esse balanço do ano com imensa felicidade e gratidão à ciência, que me possibilitou passar por essa doença, que infelizmente levou tantas pessoas a morte, praticamente sem sintomas.
Ganhei muito mais que tempo: ganhei a possiblidade de iniciar novos ciclos e construir novas histórias. Minha gratidão se estende a todas as milhares de pessoas que me enviaram mensagens, boas energias e orações. Sou grata a todos!
Para você que me lê, desejo que seu natal seja repleto de bênçãos, que você esteja vacinada ou vacinado, preferencialmente com sua dose de reforço e que possa com seus parentes também vacinados celebrar o tempo que ganharam e que em cada casa um brinde à vacina e à ciência possa ser feito. Um feliz Natal, feliz novo ciclo e feliz 2022!

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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