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Política

Por uma nova democracia, com mais diálogo e inclusão

O estabelecimento de uma nova cultura que revolucione o modo de agir e de pensar demora séculos, passando por avanços e retrocessos, mas prosseguindo sempre

Publicado em 01 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 dez 2020 às 05:00
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

Modelo sindical varguista criou uma ilusão de representatividade
 Haveremos de arquitetar uma nova soberania popular Crédito: Freepik
A democracia, tal qual a concebemos hoje, é um conceito recente na história da humanidade, estando, portanto, ainda no campo do aprendizado. O estabelecimento de uma nova cultura que revolucione o modo de agir e de pensar demora séculos, passando por avanços e retrocessos, mas prosseguindo sempre, de alguma forma, em movimentos nem sempre lineares.
Há momentos nos quais pensamos que tudo se perdeu e momentos nos quais acreditamos ter alcançado um patamar de relativa consolidação daquela cultura que consideramos ser um avanço civilizatório. É necessário que cogitemos a democracia a partir dessa perspectiva.
Àqueles que têm se sentido desesperançados com os rumos da democracia brasileira, desacreditando de toda e qualquer possibilidade de um exercício efetivamente democrático, seja por avanço do autoritarismo, do militarismo, seja por conta da interferência das fake news ou dos algoritmos no processo de formação da consciência cidadã, gostaria de estimular a pensar a partir de outra perspectiva, na qual a engenhosidade, a criatividade e a capacidade humana de reinventar a vida se manifesta, sempre, ressignificando aquilo que pensávamos, de alguma forma, perdido.
Haveremos de arquitetar uma nova soberania popular, capaz de enfrentar os desafios da contemporaneidade, aprendendo a lidar com forças nunca antes imaginadas.
Haveremos de pensar em estratégias nas quais o diálogo seja mais respeitoso, a verdade seja o real sustentáculo de avaliação para a tomada de decisão dos homens e mulheres de bem, ou então que a capacidade de discernir entre o que é de fato verdade ou apenas retórica sofista de construção de uma verdade que serve a interesses escusos, seja uma possibilidade mais concreta do que é hoje.
Devemos sonhar e agir de forma que todos possam vivenciar em plenitude sua capacidade de discernir entre o que é “fato”, verdade no campo da existência e o que é simulacro de “fato”, inverdade que se utiliza para alcançar objetivos encobridores daquilo que precisa ficar oculto.
Tendo vivido milênios sendo conduzidos por governantes impostos hereditariamente ou por força de conquistas de guerras, não é estranho que muitos ainda permaneçam submissos sem questionar o poder da nobreza, agora representada pelos donos do poder em sua versão moderna.
O sabor da liberdade, aspiração maior da democracia, não é conhecido por todos. O ideário de constituir-se cada um em sujeito de direito, detentor de igual dignidade e capacidade, não está claramente compreendido por todos. A subserviência, a aceitação do julgo, a abdicação do direito de escolher soberanamente seus dirigentes, ainda não é uma aspiração consciente de todos.
Nossa política não se modernizou. Continuamos o coronelismo, em um modelo patriarcal de submissão total aos donos do poder. Modernizamos o processo eleitoral, em um avanço tecnológico invejado por muitos países mas continuamos no modelo anterior no qual o patrão decide o voto do empregado que lhe está subordinado.
Nosso processo civilizatório, baseado em uma educação bancária modeladora de comportamentos de forma acrítica, agora agravada pelo neoconservadorismo, ainda mais violento na exclusão dos divergentes e que ousam contestar, sustentado em um modelo religioso de matriz negacionista e explorador da fé, não nos permitirá recuperar a esperança na democracia, a não ser que nos coloquemos de forma potente e comprometida a abrir o diálogo e nos aproximarmos de todos os que conosco vivenciam esse momento da existência.
Resistir, ressignificar e nos envolvermos, de fato, com os problemas reais da existência sofrida de tantos que estão à margem do processo democrático e dos bens da vida aos quais tem direito, poderá nos ajudar a pensar um modelo mais adequado aos nossos tempos e às nossas necessidades.
Ter esperança e resistir é mais do que suportar os momentos difíceis, nos lamuriando com as escolhas daqueles que entendemos equivocados ou omissos. Resistência é movimento, é potência transformadora, revolucionária, profunda de nossos comportamentos. Ter esperança e resistir é, fundamentalmente, acolher o divergente ou aquele que se omite, convidando-o a um novo modo de olhar a existência. É envolver-se visceralmente na luta pela democracia e não apenas manifestá-la discursivamente.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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