Ouvi, muitas vezes, brincadeiras jocosas sobre a loucura e o lugar destinado aos “loucos” no Espírito Santo. Talvez eu mesma as tenha feito em algum momento, irrefletidamente, em discursos naturalizados na cultura e no imaginário social, que vão se cristalizando e tomando a forma de verdade, aceita e validada socialmente.
Expressões como “Você está doido? Tem que ir para o Adauto!” ou “Fulano perdeu o juízo, tem que se internar no Adauto”, foram repetidas muitas vezes, no Espírito Santo, com naturalidade, sempre que alguém, de alguma forma, desviava-se do padrão de comportamento esperado pelos demais.
Ouvi muitas vezes e provavelmente também disse expressões como essas e, talvez, até outras, de cunho ainda mais discriminatório, injusto e desrespeitoso, violador dos direitos das pessoas às quais eu me referia.
Expressões chocantes como essas fizeram e ainda fazem parte dos discursos pronunciados por tantos que continuam sem compreender a profunda falta de conhecimento e percepção real do que é, efetivamente, a loucura, e de como somos todos nós, de alguma forma, em alguma medida e em alguns momentos de nossas vidas, loucos em potencial.
A loucura nos constitui e é, talvez, nossa tentativa mais singela e estratégica de suportar a dor de existir, com a qual todos nós convivemos em algum momento de nossas vidas. Viver é essencialmente sofrer, ainda que com lampejos de alegria, sempre temporária ou ilusória.
Nós nos protegemos fugindo da realidade, saindo do plano da cotidianidade normativa para nos escondermos nos desvios das regras sociais que nos impõem um modo de ser ao qual não nos adequamos, a não ser produzindo infelicidade, dor e inautenticidade.
A loucura é a falta de autonomia ou inconformidade com os padrões normativos impostos por uma sociedade fundada no binarismo do bonito/feio, do bom/mal, rico/pobre, verdadeiro/ mentiroso, homem/mulher, honesto/desonesto, louco/não louco?
Não sei! No dizer de uma funcionária do hospital psiquiátrico Adauto Botelho, com sua visão prática de quem vive o cotidiano de serviço em um hospital conhecido como a Casa dos Loucos do Espírito Santo, a loucura não mata e não tem cura.
Expressões chocantes como essas fizeram e ainda fazem parte dos discursos pronunciados por tantos que continuam sem compreender a profunda falta de conhecimento e percepção real do que é, efetivamente, a loucura, e de como somos todos nós, de alguma forma, em alguma medida e em alguns momentos de nossas vidas, loucos em potencial.
A loucura nos constitui e é, talvez, nossa tentativa mais singela e estratégica de suportar a dor de existir, com a qual todos nós convivemos em algum momento de nossas vidas. Viver é essencialmente sofrer, ainda que com lampejos de alegria, sempre temporária ou ilusória.
Nós nos protegemos fugindo da realidade, saindo do plano da cotidianidade normativa para nos escondermos nos desvios das regras sociais que nos impõem um modo de ser ao qual não nos adequamos, a não ser produzindo infelicidade, dor e inautenticidade.
A loucura é a falta de autonomia ou inconformidade com os padrões normativos impostos por uma sociedade fundada no binarismo do bonito/feio, do bom/mal, rico/pobre, verdadeiro/ mentiroso, homem/mulher, honesto/desonesto, louco/não louco?
Não sei! No dizer de uma funcionária do hospital psiquiátrico Adauto Botelho, com sua visão prática de quem vive o cotidiano de serviço em um hospital conhecido como a Casa dos Loucos do Espírito Santo, a loucura não mata e não tem cura.
Mas será que precisamos mesmo ser curados de nossas loucuras ou precisamos ressignificar a loucura, encontrando nela espaços de liberdade e de autonomia?
A loucura, não como diagnóstico médico, mas como diagnóstico social, que busca manter a ordem por meio do controle dos corpos daqueles que, de alguma forma, quebram os pactos de normalidade estabelecidos por uma sociedade do controle, precisa ser ressignificada.
Aceitar os divergentes e insurgentes das normas sociais rígidas e restritivas talvez possa nos tornar uma sociedade mais inclusiva, acolhedora e rica de potenciais criativos que não conseguem espaço para deixar fluir o seu verdadeiro ser no mundo de modo integral.
Os que verdadeiramente necessitam de tratamento para seus sofrimentos mentais, com diagnósticos médicos validados pela comunidade científica, precisam ser acolhidos, cuidados e tratados em seus surtos, retornando ao convívio social com a maior brevidade possível.
Os demais loucos, como todos nós, enquadrados ou não nos padrões de normatividade social, precisam ser compreendidos, aceitos, respeitados e não apenas tolerados.