Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Covid-19

Carnaval 2023: da responsabilidade pública à responsabilidade individual

Construir um projeto de educação sanitária consistente que se capilarize por todas as faixas etárias e núcleos sociais talvez seja o grande desafio da política pública de saúde no Brasil em 2023 e para os próximos anos

Publicado em 21 de Fevereiro de 2023 às 00:20

Públicado em 

21 fev 2023 às 00:20
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

Na festa da “alegria”, aguardada por tantos com ansiedade e, para alguns, já iniciada há dias com os festejos pré-carnavalescos, o risco continua, certamente, a existir. Não é possível afirmar que a pandemia acabou e que já é possível circular livremente, sem qualquer tipo de restrição. Não voltamos ainda ao status quo anterior à decretação da Emergência Sanitária Internacional pela Organização Mundial de Saúde.
O ciclo de horror que vivenciamos em 2020, 2021 e parte de 2022, com as mortes sendo contabilizadas diariamente, provocando dor, medo, desestabilização social, econômica, política e de saúde física e mental, certamente está encerrado. O número de óbitos e de internações de pessoas nas UTIs do país é menor e as autoridades sanitárias já flexibilizaram as medidas de segurança como isolamento social e uso de máscaras.
Saímos da fase mais concentrada de responsabilidade pública para a fase de responsabilidade individual, onde o centro das decisões de controle parece deslocar a centralidade do Estado para o indivíduo.
O risco da contaminação pela Covid-19 ainda existe e isso é de conhecimento de todos. Entretanto, não há razões sanitárias para impedir qualquer tipo de realização de eventos como o carnaval, festa típica da cultura brasileira e marca de nosso país, registrada no calendário turístico internacional.
A questão a ser destacada é que a pandemia, de fato, ainda não acabou. O vírus continua presente, circulando livremente em várias partes do mundo e, ainda, haveremos de conviver com ele e suas variantes por longo tempo.
No típico carnaval brasileiro, festa das ruas por excelência, no qual o ajuntamento de pessoas se dá ao ar livre, os riscos são certamente menores do que aqueles eventos realizados em salões fechados e com alta concentração de pessoas.
Regional da Nair animou Centro de Vitória neste domingo de Carnaval
Carnaval de Vitória em 2020 Crédito: Ricardo Medeiros
O que não dá para esquecer, entretanto, é que, na mesma medida e tempo em que o controle estatal se reduz, amplia-se a necessidade da responsabilidade individual do cidadão.
A máscara precisará fazer parte de nossa cultura ainda por longo tempo e, talvez, para sempre. Os vírus, mutantes por excelência, continuarão a fazer estragos na saúde pública nacional, em menor ou maior grau, dependendo do processo de educação sanitária que conseguirmos implementar.
O problema sai da dimensão quase que exclusiva da responsabilidade estatal para uma dimensão mais educativa e de responsabilidade compartilhada entre o Estado e a pessoa.
Apesar do desejo intenso, reprimido por alguns há 3 anos, de comemorar o carnaval de forma intensa e livre, é preciso haver uma conscientização acerca da responsabilidade de cada cidadão na prevenção da doença. A propagação de vírus continua a ser um risco em eventos dessa natureza. É algo que estará presente em nossas vidas, considerando não apenas a Covid-19 mas todos os demais vírus de natureza respiratória, como a influenza, por exemplo.
Colocar em risco a vida e a saúde de outros, participando dos festejos com sinais característicos de doenças respiratórias, é, no mínimo, insensato e leviano. Recolher-se, utilizar máscaras e aguardar o tempo certo para divertir-se é sinal de educação cidadã, de respeito e solidariedade.
Fomentar uma cultura de responsabilidade social, na qual o outro ocupe lugar de importância na minha vida e na vida da comunidade, é algo que precisamos alimentar de forma gradativa e sistemática e não meramente impositiva.
A política de vacinação, tão desprezada pelos negacionistas da ciência, terraplanistas por interesse e conveniência, precisa ser uma das políticas de saúde com mais investimento público e esforço concentrado do Ministério da Saúde. Construir um projeto de educação sanitária consistente que se capilarize por todas as faixas etárias e núcleos sociais talvez seja o grande desafio da política pública de saúde no Brasil em 2023 e para os próximos anos.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Carolino ao lado da roda d’água na entrada de Campinho, com lago, oratório e paisagismo, idealizada por ele
O homem que morreu como viveu: cuidando das flores das montanhas do ES
Imagem de destaque
Água sanitária: 5 mitos e verdades para utilizá-la com segurança
Biblioteca na Escola Padre Humberto, em Vila Velha
Prefeitura de Vila Velha abre seleção para contratar temporários

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados