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Relações internacionais

Discurso de Lula na ONU reposiciona o Brasil

Enquanto os discursos de Bolsonaro foram marcados por distorção de dados e negativa de fatos e da ciência, a fala mais recente do presidente Lula na ONU adotou uma postura mais conciliadora e antenada às demandas globais

Públicado em 

22 set 2023 às 00:10
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz o discurso de abertura da 78ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira, 19
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o discurso de abertura da 78ª Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira (19) Crédito: RICHARD DREW/AP/Estadão Conteúdo
Nesta semana, como a tradição, o Brasil foi primeiro país a discursar na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU. Após duas décadas de seu primeiro discurso na ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou um discurso mais amadurecido e que, definitivamente, reposiciona o Brasil no contexto internacional, recuperando, aos poucos, sua credibilidade diplomática.
O discurso de Lula, como era de se esperar, destoa integralmente dos três discursos presidenciais de Bolsonaro na ONU, sobretudo o de 2020, quando, no auge da pandemia do coronavírus, minimizou a doença e, apesar de negar os dados e tentar dissuadir que o Brasil foi um exemplo no combate à pandemia, responsabilizou governadores e prefeitos pelo fracasso.
Naquele mesmo discurso, em 2020, Bolsonaro disse que nossas florestas são úmidas e, por isso, segundo sua teoria, não seriam suscetíveis a queimadas, bem como que os incêndios florestais são naturais, inevitáveis e teriam sido causados por “índios e caboclos” (expressão que exemplifica o racismo estrutural, dividindo as pessoas por cor de pele).
Enquanto os discursos de Bolsonaro foram marcados por distorção de dados e negativa de fatos e da ciência, a fala mais recente do presidente Lula na ONU adotou uma postura mais conciliadora e antenada às demandas globais. Confrontado o discurso do Brasil de hoje com o de três anos atrás, o país partiu da indiferença ao meio ambiente para a preocupação com as mudanças climáticas e as recentes tragédias ambientais.
A concentração de renda, a desigualdade social e a fome foram temas que voltaram a ser preocupação demonstrada pelo Brasil na ONU. Não poderia ser diferente, já que, no próprio Brasil, um país com muitas riquezas e um PIB considerável, ainda é grande o abismo que separa os mais ricos dos mais pobres.
Por fim, mas não menos importante, o país reassumiu perante a comunidade internacional seu compromisso inarredável com a democracia e a liberdade de imprensa, temas em que o governo anterior escorregou e incorreu em descrédito internacional.
Justamente por isso, enquanto nos seus três discursos na ONU Bolsonaro não recebeu nenhum aplauso, apenas no primeiro discurso deste mandato Lula foi aplaudido ao menos sete vezes. Não por outro motivo, o presidente se reuniu, amigavelmente, com diversos líderes mundiais e os primeiros aplausos a virem da plateia se deram quando Lula citou: “O Brasil está de volta”.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaço.

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