Recentemente, o ministro da Educação disse que as crianças com deficiência atrapalham o aprendizado de outros estudantes. Não satisfeito, Milton Ribeiro disse, ainda, que seria contra um dito “inclusivismo”. Isso porque o ministro é teólogo e pastor, declara-se cristão, imagine se não fosse…
O mesmo ministro que não hesita em dizer que pessoas com deficiência devem ser excluídas entende que as universidades sejam para poucos. Universidades, segundo o ministro, não são tão úteis à sociedade. Talvez porque ele saiba que a educação liberta e permite que os cidadãos sejam menos alienados e, assim, livrem-se de uma idiossincrasia arcaica.
Inclusive, antes de ser nomeado ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, num vídeo intitulado “A Vara da Disciplina”, chegou a defender a educação pela dor. A escola deve ser local de acolhimento, não de sectarismo, preconceito e intimidação. A educação deve ser sim inclusiva! Quem diz isso é a Constituição.
Com todo respeito ao ministro, suas falas são totalmente incompatíveis com qualquer religião cristã. Mesmo porque, até onde sabemos, Cristo defendeu o amor, não o ódio ao próximo; pregou a tolerância, não o preconceito; acolheu aqueles que eram rejeitados (como faz o ministro da Educação com os alunos com deficiência).
Pessoas com deficiência existem e não são menos dignas de direitos. Por isso, não faz sentido excluir as crianças com deficiência dos demais estudantes. Talvez isso ajude que as próximas gerações sejam mais sensíveis, compreendam e respeitem as limitações das pessoas com deficiência.
Não são as crianças com deficiência que atrapalham as escolas brasileiras, é o ministro da Educação quem as prejudica. Afinal, não seria razoável esperar que o substituto de Abraham Weintraub fosse mais comedido e menos fundamentalista.
As pessoas com deficiência merecem, no mínimo, respeito e tratamento digno. Ainda que o ministro da Educação e os adeptos do “exclusivismo” não queiram, é o que manda a lei. Que ao menos eles respeitem as leis brasileiras.
As crianças não são deficientes, são pessoas com deficiência. Deficiente é a escola e o governo que não cumprem a Constituição e as leis de acessibilidade.
Um país melhor e uma educação mais forte não se constroem excluindo ou dividindo, mas somando, multiplicando o que há de bom numa sociedade essencialmente plural.