Já são quase três semanas desde que os protestos estudantis começaram nas universidades dos EUA. Os estudantes universitários norte-americanos vêm causando furor no debate político sobre a posição do presidente Joe Biden em relação a Israel e o genocídio contra o povo palestino na Faixa de Gaza.
Muito se tem refletido a respeito dos protestos e os efeitos que têm provocado não só nos Estados Unidos, como também em outros países, como na Inglaterra e na França, onde se vê também protestos estudantis contra a Guerra Israelo-Palestina.
Esses movimentos estudantis levam-nos, inevitavelmente, a compará-los com os protestos estudantis de 1968, um período marcado por intensos conflitos sociais em todo o mundo. Parece-nos que a comparação é um exercício importante para entender as semelhanças e diferenças entre esses movimentos e, até mesmo, se estamos vendo a história se repetir diante de nossos olhos.
Os protestos estudantis nas universidades americanas atuais demonstram que ainda existe uma enorme capacidade da juventude em se mobilizar e se posicionar diante de questões urgentes e complexas. A solidariedade com o povo palestino e a condenação do genocídio em Gaza ecoaram em vários campi universitários, reafirmando o compromisso com os direitos humanos e o fim da violência e da opressão.
Em 1968, os protestos estudantis estavam em grande parte ligados à oposição à guerra do Vietnã e ao ativismo pelos direitos civis. Os estudantes se mobilizaram em solidariedade aos movimentos sociais e políticos da época, lutando contra a opressão, a desigualdade e a violência militar. As universidades foram palcos de intensos confrontos entre estudantes e autoridades, refletindo a tensão e a agitação daquele período.
É interessante notar que, embora as causas dos protestos possam ter mudado ao longo do tempo, a essência do ativismo estudantil permanece a mesma. Os estudantes continuam a buscar mudanças sociais e a desafiar as estruturas de poder, mesmo que os contextos e as questões específicas sejam diferentes. O desejo por justiça, igualdade e paz ainda motiva os estudantes a se reunirem, protestarem e exigirem mudanças.
Ao que tudo indica, mesmo com a intervenção da polícia em várias universidades, os protestos devem continuar por mais tempo. Um exemplo disso foi o ocorrido na Universidade de Columbia na madrugada de terça-feira (30), onde estudantes ocuparam o prédio da Hamilton Hall em solidariedade ao povo palestino durante os ataques de Israel à Faixa de Gaza. Os estudantes exigiram que a universidade corte laços com empresas que lucram com a ocupação israelense e apoiam a violência contra os palestinos.
Aqui no Brasil o movimento estudantil norte-americano ainda não ecoou, mas, como na Europa, é possível que o debate chegue às universidades brasileiras, em especial às universidades públicas que atualmente, em sua maioria, estão em greve para a melhoria das condições de trabalho de servidores técnicos e docentes.
O movimento grevista tem levantado vários temas para debate, inclusive diversas violações de direitos humanos, de modo a demonstrar à sociedade brasileira a importância de universidades com orçamentos dignos que possibilitem pesquisas e atuações, que tragam benefícios diretos à população. Sem fundos e sem tratar seus servidores com dignidade, as universidades ficarão fadadas a morrer.
Como se vê, os protestos estudantis nos Estados Unidos, tanto em 1968 quanto hoje, compartilham a mesma essência de resistência e luta por justiça. Embora as questões específicas e os contextos políticos possam variar, a determinação dos estudantes em promover mudanças sociais e desafiar as injustiças permanece constante.
Assim, é possível dizer que, apesar das diferenças, os protestos estudantis de hoje têm raízes profundas na tradição de ativismo e resistência que marcou as lutas do passado.