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Sociedade

O que mudou após o retorno presencial na Ufes?

Será que ainda somos os mesmos depois da pandemia? Esta é a última semana de aulas presenciais do semestre letivo 2022.1 da Ufes e a sensação de que estamos, sim, diferentes foi muito marcante durante esses dias

Publicado em 17 de Agosto de 2022 às 02:00

Públicado em 

17 ago 2022 às 02:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

Crédito:
Durante os dois anos da pandemia de Covid-19 vivemos na expectativa de dias melhores depois da crise, todos tínhamos a esperança de que as pessoas tornariam-se melhores seres humanos no fim de tudo. Mas a pandemia acabou, a grande maioria das pessoas no Brasil já tomou ao menos uma dose da vacina contra o coronavírus, e tudo parece ter voltado ao que era antes de março de 2020.
Será que ainda somos os mesmos depois da pandemia? Esta é a última semana de aulas presenciais do semestre letivo 2022.1 da Universidade Federal do Espírito Santo e a sensação de que estamos, sim, diferentes foi muito marcante durante esses dias na Ufes.
Na quarta-feira, dia 18 de março de 2020, quando o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o pedido de reconhecimento de calamidade pública enviado pelo governo federal, todos nós ficamos aliviados, pois naquele momento, finalmente, parecia que o governo faria algo para minorar os efeitos nefastos da pandemia.
O que aconteceu nos meses seguintes, como demonstrou a CPI da Covid do Senado Federal, não foi exatamente o que esperávamos que fosse feito: perdemos muitas vidas até que os primeiros lotes de vacinas chegassem aos braços dos brasileiros e brasileiras.
As primeiras doses  só chegaram em janeiro de 2021; foi somente após a aprovação do uso emergencial da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, que a primeira brasileira, a enfermeira Mônica Calazans, foi vacinada em São Paulo. Quem não se lembra das lágrimas nos olhos de cada uma das pessoas que eram vacinadas? Foram dias de muita emoção e de muita esperança.
Depois dos profissionais de saúde, foram os nossos concidadãos na melhor idade que, aos poucos, foram sendo vacinados contra a Covid e aquela sensação de suspense, que todos nós tínhamos, foi aos poucos se desfazendo.
Foi então que, com enorme felicidade – tenho que dizer! -, voltamos às aulas presenciais na Ufes neste semestre, começamos em abril e estamos encerrando agora. A alegria de ver as passarelas cheias de jovens esperançosos e com um futuro cheio de aventuras pela frente era enorme. A vontade de aprender e debater parecia tão grande, de modo que nunca vou esquecer as minhas turmas deste semestre.
Tive a oportunidade de lecionar Filosofia do Direito para a turma do primeiro período de ingressantes no Curso de Direito da Ufes e pude ver em cada olhar, em cada manifestação, uma vontade enorme de viver e de fazer parte de uma fase de recomeço para a humanidade.
Não sem o mesmo anseio por mudanças foi a turma da Pós-Graduação em Filosofia, onde juntamos alunos do mestrado e do doutorado para debater a questão do sofrimento e a necessidade de reconhecimento nas esferas do amor, do direito e da sociedade. Foram debates tão importantes, que saímos deste semestre com propostas ousadas para a criação de dois novos grupos de pesquisa.
A vontade de viver em sociedade e de cooperarmos uns com os outros e assim descobrirmos formas melhores de conviver é o que nos mostrou a retomada da vida coletiva. Não nos transformaríamos em seres melhores da noite para o dia só por conta da pandemia, isso nunca aconteceu antes com a humanidade e não acontecerá assim facilmente.
O que a pandemia possibilitou, me parece, é perceber que somos seres que dependem dos relacionamentos com outras pessoas, das amizades, das conversas e dos debates para aprendermos a viver melhor.
Longe de estarmos frustrados, devemos estar esperançosos, pois aprendemos a dar valor à vida, aos seres humanos, à ciência e à universidade, o lugar que nos ensina a fazer ciência e a conviver melhor em sociedade: viva a Ufes! Viva as universidades públicas e gratuitas deste país!

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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