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Mundo

Guerra e paz são faces de uma mesma moeda

A discussão sobre a relação entre guerra e paz permanece relevante, pois vivemos uma crise humanitária sem precedentes onde seres humanos são forçados a fugir de suas casas em razão de múltiplas guerras que estão em andamento no mundo

Públicado em 

23 ago 2023 às 00:20
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

Preparando uma aula sobre A Nova Filosofia da Migração em Tempos de Crise Mundial (a disciplina que estou lecionando na Ufes neste semestre) e, também, vendo o número de migrantes internacionais arriscarem suas vidas como se elas não valessem nada, lembrei-me da dialética entre a guerra (clausewitzana) e a paz (kantiana).
A relação entre guerra e paz é um tema complexo e profundamente discutido ao longo da história. Dois pensadores que se destacaram nesse debate foram os filósofos alemães (prussianos) Carl von Clausewitz e Immanuel Kant. Ambos abordaram a dialética entre guerra e paz, cada um em sua perspectiva, deixando um legado de ideias que ainda ressoam nos dias atuais.
Clausewitz, em sua obra "Da Guerra", reflete sobre a natureza da guerra como meio para a conquista de objetivos políticos. Para ele, a guerra não deve ser vista como uma entidade isolada, mas como parte de um todo composto por diferentes forças políticas, sociais e estratégicas. A paz, por sua vez, representa o estado de equilíbrio e resolução dos conflitos, mas Clausewitz reconhece que a guerra é uma das formas predominantes para alcançar esse fim.
A abordagem de Clausewitz pode ser entendida como uma visão realista da guerra. Ele reconhece a violência e a brutalidade inerentes ao conflito armado, ao mesmo tempo em que enfatiza sua relação com fatores políticos e sociais. Para ele, a guerra é uma extensão da política por outros meios.
Por outro lado, Kant apresenta uma visão mais idealista sobre a paz. Em sua obra "À Paz Perpétua" (a obra que estamos lendo em sala de aula agora no início do semestre), ele propõe uma série de princípios para alcançar um estado duradouro de paz entre as nações. Para Kant, a guerra é uma manifestação da falta de razão e iluminação (ou esclarecimento – lembremos que ambos são filósofos iluministas), uma violação dos princípios éticos universais que devem orientar as relações entre os seres humanos.
Kant defende a ideia de que somente por meio de instituições democráticas e do respeito aos direitos humanos é possível alcançar uma paz verdadeira e duradoura. Ele acredita que a paz não é apenas a ausência de guerra, mas sim a construção de um mundo em que os conflitos sejam resolvidos de maneira diplomática e justa.
Talvez possamos dizer, e outros já fizeram esta reflexão anteriormente, que as perspectivas de Clausewitz e Kant se complementam e oferecem uma abordagem dialética sobre o tema. Enquanto Clausewitz destaca a necessidade de compreender a guerra em seu contexto político e social, Kant ressalta a importância de construir uma paz baseada em princípios éticos e morais.
Como disse no início deste texto, a discussão sobre a relação entre guerra e paz permanece relevante, pois vivemos uma crise humanitária sem precedentes onde seres humanos são forçados a fugir de suas casas em razão de múltiplas guerras que estão em andamento no mundo.
Sistema M142 Himars americano, que será enviado à Ucrânia durante exercício no Marrocos.
Sistema M142 Himars americano Crédito: Fadel Senna/AFP
Os pensamentos de Clausewitz e Kant servem como base para reflexões sobre os conflitos internacionais e as estratégias diplomáticas. A busca por uma paz duradoura requer uma compreensão abrangente e multidimensional, reconhecendo que a guerra e a paz são faces de uma mesma moeda.
É possível dizer, portanto, que Clausewitz e Kant ofereceram contribuições fundamentais para o debate sobre a relação entre guerra e paz. Suas perspectivas complementares permitem uma análise mais abrangente e profunda sobre esse tema complexo. Enquanto Clausewitz destaca a importância da guerra como um instrumento político, Kant enfatiza a necessidade de construir uma paz baseada em princípios éticos. A dialética entre guerra e paz nos convida a buscar soluções que considerem ambas as perspectivas, visando um mundo mais justo e harmonioso.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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