Recentemente, fiz uma lista de perguntas para mim mesma, no afã quase impossível de querer entender a loucura que parece se esparramar sobre o planeta. A primeira delas é: o que move a humanidade na direção de uma guerra? Antes de tudo, o que é uma guerra? O dicionário de Oxford diz que é uma “luta armada entre nações, ou entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos”.
Como escritora de profissão, sei que as palavras são como as esponjas do mar. Tem muita coisa curiosa sobre essas criaturinhas fascinantes que habitam os mundos submersos. São bichinhos sem olhos, línguas, orelhas, boca ou até mesmo um cérebro. Parecem meros brinquedinhos de um parque onde se divertem os peixes. Estão vivas, porém. São mais velhas e mais sábias que o tempo. Filtram a água para se alimentarem de nutrientes e, quando espedaçadas, regeneram-se com facilidade.
Mas, nesse terreno aquático, vou acabar derivando, como é costume de quem se deixa enredar nas tramas da Mãe Literatura. E assim se acaba o espaço que tenho para apresentar a vocês um texto digno de ser lido, por quem gosta (ou desgosta) daquilo que escrevo. No fundo (do assunto, não do oceano), quero dizer que as palavras, tal qual as esponjas marinhas, têm vida e têm um dom matreiro.
Deleuze ensina que as palavras têm dobra. Para o filósofo, dobra quer dizer instabilidade e incerteza. As palavras com que o Oxford define “guerra” podem ser vistas em sua dobra incerta e instável. Então, o que me fica como resíduo passível de resposta àquela primeira pergunta (na verdade um pouco insensata já que talvez não haja resposta convincente), o que me fica como resposta é a estultice humana que transparece nas finalidades apontadas pelo dicionário, ou seja, “impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos”.
Para isso, existem os Senhores da Guerra. Encrustados em seus gabinetes de poder, fazem conchavos, tramam, fingem, mentem, vão ordenando dor, morte, desespero. E como na briga entre as ondas e os rochedos quem sofre são os moluscos, só muita ingenuidade para não ver quanto sofrimento enfrentam as populações dos territórios estraçalhados por finalidades tão desatinadas e egoístas.
Não é de hoje que a humanidade patina no lodo desse inferno de imposições e interesses. E parece que nada aprendeu até agora. E, se nada aprendeu, aqui vem a minha segunda pergunta: será que algum dia nós, os chamados seres humanos terrestres, vamos entender a paz?