Prestes a completar 50 anos no mercado, a capixaba Villoni Alimentos, localizada em Viana, tem em seus planos crescer. A empresa familiar espera aumentar a produção de massas e biscoitos, lançar produtos e alcançar novos mercados. No primeiro momento, mira os Estados vizinhos do Rio de Janeiro e da Bahia, e, mais adiante, deseja chegar também a Minas Gerais.
O projeto de expansão vem sendo construído ao longo dos últimos anos e foi intensificado há quatro anos, quando os irmãos e sócios do negócio Ana Paula Villaschi, Ana Cláudia Villaschi e Tom Villaschi fizeram investimentos da ordem de R$ 40 milhões na ampliação da planta industrial e na aquisição de novos maquinários.
Com o aumento da capacidade produtiva, a Villoni quer conquistar mais consumidores. Hoje, os produtos da marca - são mais de 70 itens de fabricação própria no portfólio - são voltados quase que em sua totalidade para o mercado capixaba. Para se ter uma ideia, o Espírito Santo representa 94% desse consumo. Os demais 6% são direcionados para o Sul da Bahia.
De acordo com o diretor-geral da empresa, Tom Villaschi, a perspectiva é ampliar as vendas na Bahia e passar a atender o Rio de Janeiro.
"Fizemos vários investimentos e vamos chegar aos 50 anos, comemorados em setembro, com vitalidade e preparados para seguir em frente. A ampliação da fábrica e a aquisição de equipamentos nos trouxeram maior capacidade para produzir e melhoraram a nossa produtividade. Hoje, podemos crescer nossa produção em 30%"
Para o empresário, a estratégia de levar a marca para outros Estados é um caminho importante para o ganho de escala na indústria e para ampliar o market share (participação no mercado) nesse setor. Ele pondera que, frente aos concorrentes, a Villoni ainda é pequena.
"O nosso menor concorrente é dez vezes maior que a gente. Então, acreditamos que temos potencial para crescer e que nos próximos dois anos temos muito a desenvolver no Rio de Janeiro e na Bahia. Mais para frente, Minas Gerais pode ser mais um mercado-alvo. Por muito tempo, ficamos voltados para o Espírito Santo, mas agora o plano é de expansão, afinal, a indústria precisa de volume, se não, ela não consegue ganhar escala e reduzir custos fixos."
Caso o projeto de expansão se consolide, Villaschi acredita que vão ser necessários novos investimentos para atender as potenciais praças consumidoras. "Se o trabalho ganhar musculatura no Rio e em Minas, por exemplo, provavelmente vamos precisar de ter centros de distribuição nessas regiões. Mas a unidade produtiva será mantida aqui no Estado."
PERSPECTIVAS
O empresário diz estar otimista com os projetos e resultados do negócio. Em 2020, a Villoni registrou um crescimento de 19% e, para 2021, a meta é aumentar as vendas em mais 12%. Villaschi observa que o bom desempenho no ano passado surpreendeu. Afinal, inicialmente, os sócios ficaram apreensivos com a pandemia, as incertezas e os desdobramentos das crises sanitária e econômica.
"Nós imaginávamos que com a pandemia, pudesse haver uma retração de consumo. Mas a demanda por massas e biscoitos cresceu muito. Nós vínhamos em um ritmo bom, mas de março até novembro explodiu. Tanto é que contratamos nesse período 40 profissionais. Essa alta não foi um privilégio nosso, o aumento da demanda foi mundial"
O diretor frisa que o Brasil ainda tem muito potencial para expandir seu mercado alimentício. E cita que, no caso das massas, embora o país seja o quarto maior mercado consumidor do mundo, o consumo per capita (por pessoa) é baixo, de 6 kg por ano, com o Brasil figurando próximo do 20º lugar. A nível de comparação, na Itália, o consumo por pessoa é de 45 kg/ano e na Venezuela de 12 kg/ano, de acordo com o executivo.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Fundada em 1971 no município de Cariacica, a Villoni tem hoje o parque industrial localizado em Viana, onde emprega 370 profissionais. Criada pelo economista Wellington Villaschi, a empresa iniciou sua produção com massas frescas totalmente artesanais.
O negócio familiar está na sua segunda geração, sendo liderado pelos filhos Tom Villaschi (diretor-geral), Ana Paula Villaschi (diretora de Marketing) e Ana Cláudia Villaschi (diretora de Infraestrutura). A matriarca, Ruth Villaschi, é sócia majoritária, mas não faz parte diretamente da gestão.
Em 2006, o fundador Wellington Villaschi adoeceu, vindo a falecer em novembro de 2014. A partir de então, os filhos deram continuidade ao legado.
A PRODUÇÃO
Por mês, são produzidas cerca de 2 mil toneladas de alimentos, sendo que as massas e os biscoitos têm peso parecido na produção, conforme contou à colunaTom Villaschi. Mensalmente, cerca de 200 caminhões lotados de produtos saem da fábrica.
Atualmente, quatro marcas compõem o grupo da Villoni Alimentos: Villoni, Sarloni, Apollo e Alcobaça.
Para comemorar o meio século no mercado, a Villoni vai dar início a uma série de ações no Estado, entre elas o lançamento de um biscoito. Tom Vilaschi contou à coluna que a partir de outubro vão ser vendidas rosquinhas da marca. O novo produto é fruto da aquisição de uma máquina voltada para esse tipo de alimento.
Confira abaixo o bate-papo do Na Lata com o empresário Tom Villaschi
PERFIL
- Nome: Tom Villaschi
- Empresa: Villoni Alimentos
- Cargo na empresa: Diretor-geral
- Empresa está no mercado: Há 50 anos
- Negócio: Indústria de alimentos (massas e biscoitos)
- Atuação: Espírito Santo, Sul da Bahia e expandindo para o Rio de Janeiro
- Funcionários: 370
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
O Brasil é um grande mercado consumidor, ainda carente de infraestrutura, saneamento, etc. Essa condição nos traz a certeza que temos um caminho de transformação e desenvolvimento pela frente. Mas é preciso tratar as demandas urgentes do momento, como a reforma tributária e administrativa. Me mantenho otimista, acredito na retomada da economia, na geração de empregos, na criação de um ambiente de negócios menos hostil e um país socialmente equilibrado com a redução da desigualdade.
Pandemia do coronavírus:
Precisamos vencê-la e seguir em frente! A pandemia nos colocou "de joelhos", sem saber como agir. Mas também nos ensinou e transformou muito.
Pedra no sapato:
A burocracia no nosso país é algo assustador. Uma grande pedra no sapato que desestimula a caminhada.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
A regra do jogo muda durante a partida!
Solto fogos quando:
Vou ao supermercado e vejo nossos produtos nos carrinhos de compras. A sensação é maravilhosa!!
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...:
Eu incentivaria a inovação na produção nacional de equipamentos. Em nosso setor, os bons equipamentos são todos importados, fato que onera muito os investimentos. Seria muito bom se o Brasil pudesse investir em tecnologia e desenvolvimento nesta área.
Minha empresa precisa evoluir em:
Vejo evolução em todas as áreas. Tem que ser sempre assim, numa constante. Nosso time é comprometido e competente. Acredito que podemos evoluir bastante em pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Se começasse um novo negócio seria...:
Na área de alimentos e bebidas. Não me vejo fazendo outra coisa.
Futuro:
A Deus pertence!!! Seguir em frente trabalhando firme, fazendo o bem e respeitando o próximo.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Meu falecido pai, Wellington Villaschi, pela capacidade de realizar, pela disciplina e determinação que conduziu os seus empreendimentos, e pelos seus valores pessoais que foi o tesouro que nos deixou.