O setor privado capixaba está se mobilizando para ajudar o Espírito Santo a ampliar a oferta de leitos voltados para o atendimento exclusivo aos pacientes com coronavírus. Representantes de empresas e de entidades do setor produtivo têm estreitado as conversas com o governo do Estado para que mais de 100 novos leitos possam ser ofertados nas próximas semanas e meses.
A intenção é contribuir com recursos e iniciativas que possibilitem essa expansão dos leitos para ajudar no enfrentamento da pandemia, que está no estágio mais grave no Espírito Santo e em todo o país. Por enquanto, porém, não está batido o martelo sobre como essa contribuição será viabilizada.
Nos bastidores, fontes garantem que a mobilização entre as empresas é crescente e que muitas desejam ajudar, mas é necessário alinhar alguns requisitos técnicos para a ação ser implementada.
As companhias do Estado estão se inspirando em outras experiências pelo país para replicar ou adaptar a adoção de medidas e a alocação de recursos, de acordo com a realidade capixaba.
Um dos modelos que vêm sendo analisado é o de São Paulo, onde grandes nomes do setor produtivo têm feito parte de movimentos de expansão da rede de saúde. Empresas como Casas Pernambucanas, Gerdau, Banco BTG, Suzano, Península e Uninove são algumas das que fizeram parcerias junto ao poder público paulista.
A iniciativa do Espírito Santo ainda está em fase de construção, mas a ideia é que os leitos que venham a ser criados estejam distribuídos em hospitais que atendam diferentes regiões do Estado.
O movimento de união entre o setor público e privado é muito bem-vindo. Ainda que seja competência do poder público dar respostas e buscar soluções para o enfrentamento da pandemia, ter esse desafio dividido com a iniciativa privada demonstra maturidade das nossas instituições e reforça que o Espírito Santo tem um ambiente propício ao diálogo e à colaboração mútua.
Além disso, pelo lado da iniciativa privada, empresas que têm senso de responsabilidade e se engajam em causas relevantes - sejam elas sociais, sanitárias ou ambientais - são cada vez mais valorizadas no mercado.
Nos últimos anos, a reputação de uma companhia tem sido avaliada muito além dos resultados que ela oferece aos seus acionistas. A forma como ela lida com a comunidade em que está inserida, como ela se posiciona sobre determinados temas e as entregas que faz à sociedade são diferenciais para a sua imagem e para o seu valor enquanto negócio.
Sem contar que investir em equipamentos, insumos e infraestrutura é um caminho para ajudar o Estado a garantir que não faltem leitos e atendimento digno aos capixabas que contraírem a doença. Ao estreitar parcerias, empresas vão ajudar a salvar vidas no curto prazo e, no médio prazo, ainda terão dado uma importante contribuição para que a atividade econômica se reestabeleça.
O quadro da pandemia é gravíssimo, mas os esforços conjuntos podem fazer toda a diferença. O primeiro passo foi dado. Que venham os próximos!
QUADRO NO ES
O governo do Estado vem aumentando o número de leitos disponíveis, mas ainda assim a taxa de ocupação de UTIs para Covid-19 no Espírito Santo continua acima dos 90%. Tanto é que, em função do cenário preocupante, a quarentena no Estado, que teria fim no próximo dia 31, foi estendida até o domingo de Páscoa (4).
Atualmente, o Estado conta com mais de 800 leitos de UTI exclusivos para atendimento a pacientes com Covid-19. Mas, diante da velocidade de contaminação da população e do agravamento dos casos, o governo capixaba espera abrir novos leitos até abril.
Combinado ao crescimento da oferta de vagas na rede pública de saúde, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), anunciou a adoção de uma série de medidas restritivas. O objetivo é evitar que mais pessoas sejam contagiadas e reduzir a pressão sobre o sistema de saúde.
Nesta quinta-feira, de acordo com dados da Secretaria de Saúde (Sesa), foram identificados 2.492 novos casos nas últimas 24 horas, chegando a 368.612 pessoas infectadas desde o início da pandemia. Já o número de óbitos ultrapassa 7 mil, sendo 51 mortes apenas em 24 horas.