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Economia é atropelada pelo coronavírus

Reflexos no dia a dia das empresas e dos trabalhadores serão drásticos nos próximos meses. Ainda assim, prioridade tem que ser pela preservação da vida.

Publicado em 21 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

21 mar 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Efeitos da pandemia do coronavírus na economia serão dramáticos Crédito: Pixabay/Divulgação
Nada do que foi e ainda será feito para combater o avanço do coronavírus será suficiente. A Covid-19 vai inevitavelmente se alastrar. O seu contágio, entretanto, pode ser menos danoso e comprometer menos vidas se tomarmos todos os cuidados que estamos sendo orientados a tomar dia após dia.
As medidas anunciadas pelo governo federal e pelos governos estaduais podem soar em muitos momentos como drásticas e antipáticas, mas em prol da garantia da vida elas estão mais do que respaldadas e devem, sim, ser intensificadas!
Na economia, o estrago também já foi contratado. Teremos pela frente dias e meses difíceis. Redução do consumo e da produção, elevação do desemprego, falência de empresas, comprometimento da renda, endividamento crescente e queda na arrecadação são algumas das terríveis consequências que já começam a ser sentidas por trabalhadores, empresários, profissionais informais, aposentados, gestores públicos e tantas outras pessoas que movimentam a economia.
Se não bastasse o cenário ser demasiadamente preocupante, a pandemia do coronavírus chega ao Espírito Santo e ao Brasil em um momento muito delicado, em que ainda estávamos tentando nos recuperar da severa crise iniciada em 2014.
É como se uma pessoa estivesse andando de bicicleta pela rua, levasse um forte tombo e, justo na hora em que ela começa a se levantar para voltar a pedalar, é surpreendida e atropelada por um caminhão, sem qualquer tempo de reação. Pense que isso está acontecendo ao mesmo tempo para 210 milhões de brasileiros. Nos recuperar deste acidente vai requerer ainda mais sacrifícios, planejamento, resiliência e empatia.
No mundo ideal, andar no limite ou além dele não deveria ser opção. Deveríamos ter sempre uma velocidade reduzida em relação aos gastos pessoais, ao comprometimento das contas públicas, às dívidas realizadas. Assim, seria mais fácil atravessar momentos críticos como os que começamos a enfrentar.
Se no mundo real já é naturalmente difícil cumprirmos essa cartilha de austeridade fiscal e construção de reservas financeiras, quando esse mundo real está há quase seis anos tentando sobreviver, o futuro se apresenta ainda mais incerto.
Por isso é tão importante que as medidas a serem tomadas pelos governos federal, estaduais e municipais sejam rápidas, consistentes e ofereçam amparo principalmente aos mais pobres.
Nesta semana, tivemos alguns anúncios feitos pelo governo federal como o pagamento de R$ 200 a trabalhadores informais e a concessão de seguro-desemprego a quem tiver o salário reduzido. Eles são fundamentais para garantir alguma renda às famílias. Permitir que empresas adiem o pagamento de impostos e famílias de baixa renda não paguem tarifa de água, como anunciou o governo do Estado, também são caminhos que ajudarão nessa tortuosa travessia. Isso, no entanto, não basta.
Os gestores públicos precisarão empenhar todas as suas energias e recursos (já tão escassos) para socorrer a sociedade. Neste ano, queríamos aprovar as reformas estruturantes, melhorar a infraestrutura do país e reduzir o desemprego. Diante do novo quadro com o coronavírus, tudo ficará para depois. A prioridade tem que ser a de salvar vidas e para isso infelizmente a economia vai sangrar.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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