Pelo menos cinco bancos entre estatais e privados estão em contato direto com a Prefeitura de Vitória e entraram na "briga" para administrar os recursos públicos da Capital. As possibilidades em negociação vão desde a alocação do dinheiro em ativos que ofereçam maior rentabilidade até a gestão da folha de pagamentos dos servidores, aposentados e pensionistas.
Por enquanto, a prefeitura não bateu o martelo sobre qual modelagem irá adotar em relação a potenciais novos contratos junto às instituições financeiras. Nas próximas semanas, a equipe econômica espera ter essa definição. Uma das possibilidades em avaliação é a venda da folha de pagamentos dos cerca de 12,5 mil servidores. Caso essa seja a escolha, será lançado um edital para concorrência entre os interessados.
A coluna conversou sobre o assunto com o secretário da Fazenda de Vitória, Aridelmo Teixeira. Ele contou que tem dialogado com representantes de vários bancos - entre eles Bradesco, Santander, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Banestes - e tem ainda uma agenda marcada com a XP Investimentos. A reunião com a corretora aconteceria nesta quinta-feira (25), mas diante das restrições em função da pandemia, as partes optaram por remarcar para outra data, quando a situação sanitária oferecer mais condições para isso.
"Tradicionalmente, a prefeitura vinha trabalhando somente com bancos públicos, e percebemos situações em que os ativos no banco estavam com uma remuneração abaixo daquelas praticadas pelo mercado. Então, estamos chamando os bancos para negociar. Em alguns ativos, conseguimos mais que dobrar a taxa de retorno da prefeitura"
Teixeira explica que além da busca por uma rentabilidade mais elevada, as conversas com as entidades bancárias também são no sentido de reduzir taxas e tarifas e garantir mais facilidades e melhores condições para os servidores em relação aos produtos e serviços ofertados. Além disso, o objetivo é tornar mais simples e ágil, por meio de novos sistemas e tecnologias, o acesso de funcionários públicos e contribuintes aos serviços da prefeitura e das instituições financeiras.
O secretário da Fazenda disse ainda que, ao melhorar os rendimentos dos recursos aplicados, a prefeitura aumenta a sua capacidade de fazer investimentos com recursos próprios.
“Nós pegamos um orçamento rico, de R$ 2 bilhões, mas com apenas R$ 10 milhões de recursos próprios em caixa. Numa situação com essa que vivemos, de pandemia, não há como a receita crescer. Então, nós estamos buscando formas de dar valor aos ativos que temos, como é o caso da tesouraria da prefeitura e, assim, levar benefícios para a cidade. Temos em mente melhorar os investimentos com capital próprio. Em 2019, a prefeitura conseguiu investir com capital próprio 0,2% da receita. Queremos ao final de quatro anos chegar à marca de 10% a 15%.”
RECURSOS PARA O CAIXA
Caso a Prefeitura de Vitória opte pela abertura de licitação, a expectativa é que até meados deste ano o processo como um todo seja concluído e a nova instituição comece a operar. A previsão inicial sobre a decisão de lançar ou não do edital era o final deste mês, mas em função do cenário de agravamento da pandemia e da adoção de medidas mais restritivas de circulação, a equipe da administração municipal deve alongar um pouco mais essa data.
Vale lembrar que para assumir como novo banco a operar a folha de pagamento dos servidores da PMV, do Instituto de Previdência dos Servidores de Vitória (IPAMV) e da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV), o vencedor da licitação pagará à prefeitura o valor definido na disputa pública.
Questionado sobre quanto seria essa quantia, Aridelmo Teixeira não adiantou, mas garantiu ser “um valor significativo”. “É um recurso que entra direto para o caixa e está livre para ser investido no que for mais importante para a cidade.”
Conforme apuração da coluna, o volume a ser pago é superior a R$ 30 milhões.
ENCONTROS REGISTRADOS NAS REDES SOCIAIS
Alguns dos encontros feitos pela equipe da Fazenda e representantes de bancos foram registrados pelo secretário da Fazenda em suas redes sociais. No Instagram, Aridelmo Teixeira postou fotos e destacou que a pauta era para tratar das propostas dos bancos interessados em prestar serviços à Prefeitura de Vitória. As reuniões aconteceram nos dias 16 e 18 de março, ou seja, antes do início da quarentena no Estado.