A Prefeitura de Vitória pode ter um novo banco para fazer a gestão do pagamento dos salários dos servidores municipais. Algumas instituições financeiras têm procurado a administração da Capital demonstrando o interesse para processar a folha salarial do funcionalismo público.
Segundo fontes, trata-se de duas instituições privadas, que estão com elevado apetite para gerir as contas da principal prefeitura do Espírito Santo, com cerca de 12,5 mil servidores. Vitória é, segundo dados da Revista Finanças dos Municípios Capixabas, a administração com a maior despesa com pessoal. Em 2019, foram gastos com o funcionalismo R$ 919,5 milhões.
A Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) confirmou à coluna que está em fase adiantada de análises sobre a possibilidade de ter um contrato com uma nova instituição financeira. Por meio de nota, a administração esclareceu que a avaliação considera a gestão dos benefícios dos servidores da PMV, do Instituto de Previdência dos Servidores de Vitória (IPAMV) e da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV).
"A PMV está com estudos avançados sobre a viabilidade de negociar um novo banco para gerir as folhas de pagamentos da PMV, do IPAMV e da CDTIV. Se decidir por dar prosseguimento ao tema, o processo de escolha do novo banco se dará por meio de licitação. A decisão deverá ser anunciada nos próximos 30 dias"
A gestão municipal acrescenta que "para assumir como novo banco a operar a folha de pagamento dos três órgãos, o vencedor da licitação pagará à prefeitura o valor definido na disputa pública". Atualmente, a distribuição dos salários e benefícios dos profissionais ativos, aposentados e pensionistas acontece por meio de três instituições: 47% dos servidores recebem pelo Banestes, 30% pelo Banco do Brasil e 23% pela Caixa Econômica Federal.
O interesse de diferentes instituições bancárias em fazer parte da rotina salarial de servidores não é por acaso. A estabilidade no serviço público é um prato cheio para bancos irem atrás desses profissionais como clientes. Afinal, eles tendem a passar por menos dificuldades financeiras, como perder um emprego ou ficar meses com o salário atrasado, situação mais propensa de acontecer na esfera privada em momentos de instabilidade na economia.
Aliás, com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus muitos bancos veem nas parcerias junto a prefeituras e outros órgãos públicos um porto-seguro, uma vez que essas organizações não demitiram nem reduziram os salários mesmo com o cenário da Covid-19. Dessa forma, os funcionários públicos continuam como o mais relevante nicho na concessão de empréstimos consignados, assim como se apresentam como bons clientes para outros produtos bancários.
Fonte de um banco com forte atuação no Estado contou à coluna que a disputa entre instituições financeiras tem se acirrado no Espírito Santo, onde a maior parte das contas-salários é administrada pelo Banestes. A "guerra" para garantir a folha de pagamento de órgãos públicos faz com que os bancos ofereçam como vantagens mais linhas de crédito para os servidores, opção de juros baixos, maior prazo de carência, entre outros benefícios, fora o pagamento que o próprio órgão público recebe quando o contrato é fechado.
"Sem contar que agora, com a Selic baixa, está havendo um grande direcionamento dos bancos para administrar as finanças pessoais dos clientes. Também neste ponto os servidores são clientes com grande potencial", observou funcionário de uma entidade financeira.
Nos bastidores, a informação é que o banco que levar o contrato, caso de fato a Prefeitura de Vitória opte pela realização da licitação, desembolse recursos entre R$ 25 milhões e R$ 32 milhões.