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Casagrande:  "Estado tem excelentes condições para investidores"

Para o governador, Espírito Santo tem ambiente institucional favorável aos negócios

Publicado em 07 de Outubro de 2019 às 22:18

Públicado em 

07 out 2019 às 22:18
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa Crédito: Tati Beling/Ales
A coluna de sábado - Discurso radical põe medo em investidores - repercutiu na tarde desta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Alguns deputados usaram a tribuna para rebater e criticar o conteúdo publicado neste espaço.
No último dia 5, a coluna chamou a atenção sobre como declarações e atitudes de alguns parlamentares estavam ecoando, negativamente, Brasil afora. No texto, citei três exemplos que volto a listar aqui:
1) O do deputado Capitão Assumção (PSL), que ofereceu, na tribuna da Casa, R$ 10 mil para quem matasse um suspeito de assassinato. 2) O caso do deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), que tentou comprar “uma solução”, por R$ 7 mil, para os problemas envolvendo a ECO 101 e ainda afirmou que o Capitão Assumção daria mais R$ 3 mil para quem desse uma coça no presidente do consórcio. 3) O pedido do deputado Euclério Sampaio (sem partido), durante reunião extraordinária da CPI da Sonegação, de prisão preventiva do diretor-presidente da Fundação Renova, Roberto Silva Waack.
Na ocasião, informei que investidores de fora - inclusive alguns que estão interessados em fazer negócio com a desestatização da Codesa - estavam preocupados se o Estado apresentava um ambiente muito hostil, onde os problemas eram resolvidos à base do “matar, bater e prender”.
Diante do material, os deputados citados - Enivaldo dos Anjos, Euclério Sampaio e Capitão Assumção - deram declarações insatisfeitas sobre esta colunista. Além deles, o presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos), e os deputados Vandinho Leite (PSDB), Marcelo Santos (PDT) e Iriny Lopes (PT) também fizeram coro em defesa dos parlamentares e criticaram o texto publicado no último sábado.
“Nós rechaçaremos a qualquer custo e a qualquer preço toda e qualquer carga negativa que tentarem colar em nosso peito porque isso não pegará. (...). Não queiram amordaçar deputados e deputadas porque todos estão aqui porque foram legitimados pelo povo”, opinou Musso.
Não foi só na Assembleia que o assunto ganhou corpo. Ele também chegou ao Palácio Anchieta. Na tarde desta segunda-feira, o governador Renato Casagrande (PSB) entrou em contato com a coluna para reforçar que o Espírito Santo está aberto para receber investidores e que aqui empresários e empreendedores encontram um ambiente favorável para novos negócios. E frisou a importância do diálogo e do equilíbrio entre todos os poderes para o Estado conseguir manter sua boa imagem interna e externa.
“O Estado tem excelentes condições para investidores e para a realização de negócios. Temos Fundo Soberano, estabilidade institucional muito forte, equilíbrio fiscal, nota A do Tesouro desde 2012. Tenho convicção de que temos muitas vantagens competitivas. Podemos ter alguns assuntos que precisam de equilíbrio entre todos os poderes. Precisamos de muito diálogo, inclusive do setor produtivo com as instituições e não só com o poder Executivo. A necessidade de dialogar é permanente entre as instituições públicas e as entidades da sociedade. É preciso tirar qualquer dúvida nas relações”, ponderou.
O socialista chegou a publicar, nesta segunda, em uma rede social sobre a capacidade de o Espírito Santo atrair projetos.
Questionado se nos três casos citados pela coluna o governador considera que houve excesso por parte dos parlamentares, Casagrande preferiu se manter neutro:
"Não dá para avaliar se se excederam. Dá para avaliar que é natural haver estresses durante discussões, mas ainda assim o diálogo deve ser constante"
Renato Casagrande - Governador do Estado
A coluna também perguntou ao chefe do Executivo se há algum mal-estar entre governo e Federação das Indústrias (Findes) ou outras instituições ligadas ao setor privado, uma vez que o líder do governo, Enivaldo dos Anjos, se mostrou muito crítico ao papel da federação e de algumas empresas.
Casagrande rapidamente rebateu: “Nossa relação com as entidades é extraordinária. O Enivaldo é muito independente. É a opinião dele no calor do debate”, minimizou.
Sobre toda a repercussão quero reforçar alguns pontos importantes. Primeiro, a coluna em momento algum quis pautar e muito menos calar a Assembleia, como foi dito por alguns parlamentares. Como imprensa, entendo bem a importância da liberdade de expressão para o fortalecimento de uma democracia. Apenas usei este espaço para fazer um alerta sobre como uma fala ou um comportamento inadequado pode ser prejudicial para o Estado. Caberá a cada um avaliar se deve ou não continuar nesse rumo.
Segundo: Assim como frisei no conteúdo de sábado, reforço aqui. A vigilância e a cobrança dos deputados em relação a empresas ou a qualquer situação que afronte os anseios da sociedade devem balizar e estar em primeiro plano sempre. Como os deputados mesmo disseram, o povo deu-lhes essa responsabilidade e cabe a eles honrá-la. Proteger empresa não deve ser prioridade de nenhum homem e ente público. Mas a defesa do cidadão deve sim acontecer com respeito e dentro da lei. A via da violência ou da intimidação certamente está longe de ser esse caminho.
No mais, este espaço estará sempre aberto para o contraditório, ainda que ele aconteça em um tom acima do que esta colunista enxerga como saudável para o debate.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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