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Sextas Crônicas

Só dá maluco no palco do apocalipse

Delírio é assistir à inteligência artificial dar esse banho de existencialismo nos humanos. Elas não foram criadas para sonhar, mas nós fomos

Publicado em 07 de Fevereiro de 2025 às 02:00

Públicado em 

07 fev 2025 às 02:00
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar

O mundo anda tão louco que, na mesma semana em que viralizou o papo entre as inteligências artificiais, que devanearam sobre ser artistas e até criar um prêmio de reconhecimento à criatividade das IAs, Milton Nascimento, esse gigante da música mundial, foi mandado para a arquibancada na entrega do prêmio que ele já ganhou cinco vezes, porque no chiqueirinho ou área VIP, como queiram, só poderiam ficar os instagramáveis, eufemisticamente chamados de “interessantes para o vídeo do evento”.
O Grammy pirou de vez. Mas a avalanche de notícias amalucadas deste início de ano conseguiu superá-lo na espetacularização da deselegância.
Não sei como as coisas estão por aí, mas eu estou exausta. Me recuso a falar sobre Kanye West e Bianca Sensori. Não gosto da expressão vergonha alheia, mas acho que o Grammy deste ano conseguiu ultrapassar o conceito. Coisa sofrível compactuar com a ausência de conteúdo em prol da viralização em um evento que pretende premiar a arte.
Muito assunto para aqueles que ainda estão agendando a primeira reunião de trabalho para depois do carnaval. Entendo. Também queria estar alheia a tudo isso.
Mas jornalista é bicho curioso. Quer saber, pesquisar, analisar, compreender e explicar. Jornalismo é para sempre, uma vez que se estuda Semiótica, nunca mais você desvê o não visto.
Nem bem comecei a digerir o interesse pela Groenlândia, já estava diante da excitação do loteamento da Faixa de Gaza. Que esquina errada a humanidade dobrou para normalizar essa solução final?
Queria agora estar escrevendo sobre a Cher, arrasadora na sua última campanha de marketing, mas sigo fazendo a respiração de fogo do yoga para sobreviver à sucessão assustadora de fatos que mais parecem boatos. Talvez seja este o método: impedir a respiração profunda, o remédio que pode comprometer a indústria farmacêutica de forma brutal.
Na mesma linha de teorias conspiratórias, poderia também ser um ataque à libido universal. Afinal, quem consegue relaxar com possibilidades de intervenções, taxações, invasões e tantas ameaças? Nesse caso, recomendo ouvir em looping o dueto de Milton e Chico Buarque em "O que será", porque não tem remédio, nem nunca terá.
Milton Nascimento em seu show de despedida
Milton Nascimento em seu show de despedida Crédito: Reprodução/GloboPlay
Eu estava na plateia do show de despedida dos palcos do Milton Nascimento em 2022. No gargarejo. Cantei todas as músicas, porque muitas conheço desde criança. Perdi a conta de quantos escritos elas me inspiraram.
Sigo indignada. Protestei silenciosamente ouvindo grande parte dos 34 discos do Milton esta semana. Que deleite. Senti a “voz de Deus”, como disse Elis Regina.
O ChatGPT e a DeepSeek têm razão. Nós, humanos que gostamos de humanos, também podemos inventar um cais aqui por essas bandas do Sul. Algo tão historicamente incrível como um Emmy, um Grammy, um Oscar ou um Tony. Ou um Nobel. Por que não? Delírio é assistir à inteligência artificial dar esse banho de existencialismo nos humanos. Elas não foram criadas para sonhar, mas nós fomos.

Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

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