Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Sextas Crônicas

O amor é inútil

O ódio viralizado normalizou conexões utilitárias entre almas vazias, mas é o adoecimento que trará o amor como assunto urgente

Publicado em 03 de Outubro de 2025 às 01:30

Públicado em 

03 out 2025 às 01:30
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar Aurê Aguiar
O amor é inútil. Tal como a arte. É uma falácia dizer que ama-se alguém por aquilo que ele traz para a sua vida. Não é o colorido ou o cinza do outro que matiza o nosso amor. Tão nosso e tão farto, o amor não faz pose e não exige posse. Possui a si, pratica o verbo amar e isso basta. Tudo de estranho cabe ao amor tornar familiar, porque o resultado do amor é uma onda inexplicável de pertencimento genuíno. Amar acalma. Na sintonia refinada do amor, só se capta o som da alegria. Tudo contrário à alegria, no amor, é ruído.
Como explicar, como dimensionar que essa inutilidade, no sentido prático da palavra, seja capaz de mudar o mundo? Ou melhor, seja a única via capaz de mudar o mundo.
É pelo amor que se chega à paz. Um coração que se fecha ao amor pertence a uma mente beligerante, não importa o semblante que faça. Jamais, em tempo algum, produzirá paz, porque falta-lhe o elemento básico que é o amor.
Dia dos Namorados: Procon-ES fez pesquisa do preços de presentes
"Na sintonia refinada do amor, só se capta o som da alegria" Crédito: Pexels
Mas o amor está aí, em abundância, esperando um olhar mais demorado, uma escuta atenta, uma aposta no que pode nos fazer menos úteis e mais amados e amantes.
“Minha afeição é como um mar sem fim, meu amor tão profundo, mais eu dou, mais eu tenho, pois são ambos infinitos.” Esse manifesto ao amor pertence ao escritor e dramaturgo inglês Willian Shakespeare.
Fico pensando em como saímos das odes ao amor abundante e chegamos ao ápice dos tempos ruidosos? Saímos de “não existe amor em SP”, do Criolo, para um desamor generalizado no mundo. O ódio viralizado normalizou conexões utilitárias entre almas vazias. Mas é o adoecimento que trará o amor como assunto urgente, com novas roupagens, novos conceitos, novas práticas.
Olhamos durante muito tempo para os vazios da maldade, e de lá nada de bom poderá sair. Mas é mesmo à beira do precipício que podemos dizer não ao entorpecimento pelo abismo e dar passos para abrir novos caminhos. Escolhas. Sempre elas. Nunca se sabe em que esquina está o abismo que te fará despertar e desviar o olhar para buscar novos caminhos. Portanto, nem deles (os abismos) é bom fugir.
Amor é uma energia livre. Não a procure, vibre e ela te achará. Como um filho acha o seio da mãe. A mesma mãe, que, sob as custas de muita análise, entende que terá sido suficientemente boa quando não for mais útil e continuar sendo amada.
O manifesto “A Utilidade do Inútil”, do filósofo italiano Nuccio Ordine, traz um trecho escrito pelo francês Saint-Exupéry sobre o amor, que resume muito esta crônica, que escrevi para Alessandra e Antonio, respectivamente, minha nora e meu filho.
“Não confundas o amor com o delírio de posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer”.

Aurê Aguiar

Aurê Aguiar Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Máscaras de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande
Aliados de Ricardo e Casagrande querem o PSD, só não sabem o que fazer com Hartung
Convenção do PSB confirma candidatura de Casagrande ao Senado
PSB oficializa em convenção candidatura de Casagrande ao Senado
Imagem de destaque
'Tivemos que fazer rifa para pagar o tratamento da minha filha': como sistema de saúde do Paraguai leva pacientes a se endividarem

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados