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Sextas Crônicas

Muito prazer, eu sou a emoção que você reprime

A chegada arrasadora aos cinemas do filme “Divertida Mente 2” dá uma pista de como estamos ávidos por temas humanos e lúdicos

Publicado em 28 de Junho de 2024 às 01:30

Públicado em 

28 jun 2024 às 01:30
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar

Em tempos de palavras contidas, aquece o coração ver que o ato de dar voz, nome e cor às emoções produz um encantamento imediato.
O leque de emoções humanas não tem uma única camada, como um malmequer/bem-me-quer, está mais para uma peônia com suas incontáveis pétalas, ou, para usar o exemplo de uma flor mais próxima da cultura brasileira e tão farta quanto, para uma dália. Emoções muito secretas - como as pétalas escondidas - não podem ser nomeadas. Só o que é visto pela consciência pode receber um nome.
No primeiro filme, a pré-adolescente Riley passa pelo desafio de lidar com as emoções Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho, personagens que atuam no palco do seu cérebro. Esse jeito encantador de abordar a gestão de emoções se repete na continuação do filme, que apresenta à jovem quatro novas emoções: Ansiedade, Vergonha, Inveja e Tédio. Das básicas, segundo a psicologia, a que falta aqui é a Surpresa. Ou talvez não falte, não vou dar spoiler do filme.
Dar cara, cor e personalidade às emoções opera o milagre da arte, educa enquanto diverte e retém na memória da alma o aprendizado. E isso serve para todas as idades. Talvez até mais para adultos que, possivelmente, tiveram menos oportunidades de aprender sobre emoções de forma tão lúdica.
Mesmo nós – os adultos - ainda declaramos guerra ao bicho-papão das nossas emoções, sentimentos e afetos, três pontos fundamentais no mapa do autoconhecimento que, imagino, todos gostaríamos de percorrer.
Sem entender o que nos afeta de forma positiva ou negativa, seguimos sendo reprise do que pensamos que somos, mesmo quando não sentimos ser. A arte faz a gentileza de nos apresentar outras possibilidades de enredo sobre nós mesmos.
Filme Divertida Mente 2
“Divertida Mente 2" apresenta novas emoções à protagonista, como a Ansiedade Crédito: Divulgação
Este trecho do poema "Arte Poética", do escritor argentino Jorge Luís Borges, traduz isso: Às vezes pelas tardes certo rosto contempla-nos do fundo de um espelho; a arte deve ser como esse espelho que nos revela nosso próprio rosto.
“Divertida Mente 2” ganhou o coração do público. As redes sociais estão inundadas de memes sobre emoções, inclusive aquelas que não estão entre as nove apresentadas. Os espectadores parecem dispostos a brincar de roteiristas.
Como curiosidade, vale falar que emoções como culpa, ciúmes e suspeita foram descritas, desenhadas, mas retiradas do roteiro, porque não passaram na avaliação final da equipe de roteiristas e do diretor Kelsey Mann. Eles queriam um filme que não fosse pesado e nem complexo demais. Ou talvez, estejam guardando essas e outras emoções para a série que vai estrear em 2025.
Por aqui, sigo emocionada. Torço para que a Riley, adulta, encontre muitas vezes o Encantamento, uma personagem etérea e mágica, com olhos grandes e brilhantes, cheia de graça e fluidez, que dança no ar com gestos amplos para expressar a imensidão de emoções que podemos - se quisermos - conhecer.

Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

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