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Sextas Crônicas

Madonna: desencaretando o mundo desde os anos 80

Foi a partir das falas dela sobre a maternidade que evitei, enquanto pude, que meus filhos comessem açúcar. E também que assistissem a telejornal, telenovela ou jogassem jogos violentos. Sim, mães podem ser cuidadosas e libertárias

Publicado em 03 de Maio de 2024 às 02:10

Públicado em 

03 mai 2024 às 02:10
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar

Desde que vi o primeiro clipe de Madonna, senti que ali havia algo muito novo. Era impossível definir o que era aquela ousadia espetacular. Isso, a impossibilidade de definição, só piorou ao longo dos anos. Madonna é indefinível.
Chamá-la de Rainha do Pop reduz sua dimensão transcendente de artista que muda o mundo. Ela não precisa de reinados, não acredita em soberanos, está entre nós para provocar as verdades estabelecidas em todas as dimensões.
Madonna exerce sua singularidade e nos instiga a fazer o mesmo.
"Like a virgin", lançado na primeira metade dos anos 80, trazia exatamente a magia do inédito. Daquilo que causa um estranhamento inesquecível. Estava tudo ali, sexo, política e religião, desdizendo ditos como se fosse óbvio, como se devéssemos saber. Mas não sabíamos, até ela aparecer e dizer com palavras, com o corpo e com todo o não dito de uma grande ruptura, que a partir daquele instante estávamos tocados, pela primeira vez, por outras verdades, desvirginados.
A cantora Madonna para o MET Gala 2018
A cantora Madonna para o MET Gala 2018 Crédito: Reuters/Folhapress
Não houve referência cultural relevante, nos últimos 40 anos, que tenha passado desapercebida pelos olhos curiosos de Madonna, e traduzida com genialidade e intenção.
Universal e atemporal, Madonna brinca com o tempo. Desde a primeira música lançou-se com coragem no mundo e defendeu o amor como antídoto para o medo. Ela mexe com os grandes dogmas. Há uma legião de fãs, mas também há haters. Sua alma nua, despida de preconceitos em um grau muito além do comum, denuncia o incômodo que provoca um ser humano que se joga no próprio desejo e produz a partir disso.
Madonna não será canonizada, como Santa Tereza D’avila, mas a sua humanidade em êxtase já é imortal e continuará sendo estudada por pesquisadores do comportamento em todos os tempos, principalmente, nos séculos que virão, com gerações mais ávidas por novos arranjos de relacionamento e formas de inserção no mundo. As trilhas que ela abriu para mulheres na música, na dança, no sexo, nas artes e para as que estão subjugadas por qualquer forma de opressão só se ampliarão.
Fui e continuo sendo muito influenciada por Madonna. Foi a partir das falas dela sobre a maternidade que evitei, enquanto pude, que meus filhos comessem açúcar. E também que assistissem a telejornal, telenovela ou jogassem jogos violentos até a terceira infância. Sim, mães podem ser cuidadosas e libertárias. Isso confunde mesmo, mas grandes artistas não vieram ao mundo para explicar. A sorte de ter visto Madonna de perto me fez ficar ainda mais intrigada e extasiada com sua arte, sua expressão de si. Ser uma fonte inédita de inspiração explica a vida. Que sim, basta por si.

Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

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