Ah, o amor. Renovei minha crença em um amor revolucionário. Aquele amor que ainda vai desadoecer o mundo, que aonde chegar é para entregar alegria. Amar talvez seja a mais refinada das práticas humanas. É o gesto que resiste ao ódio sem fazer guerra. O amor cura pela sutileza da presença, pela emoção positiva que desperta no outro e pelo milagre silencioso de fazer o bem sem alarde.
Sou muito fã do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, que define o amor como uma energia de consciência plena. Segundo ele, amar é ver o outro na sua inteireza. É uma forma de presença atenta que desarma, que dissolve o medo e o ressentimento. Você deve amar de tal forma que a pessoa amada se sinta livre, ele escreveu. E talvez esteja aí a cura mais revolucionária, um amor que não aprisiona, mas devolve o outro a si mesmo.
Não há quem resista a falar de amor, porque, por si, o amor desdobra o pensamento em tantas partes que inaugura novas formas de sentir e disso estamos todos necessitados. O ativista pela paz Satish Kumar amplia esse olhar ao afirmar que o amor é uma força ecológica, que conecta tudo o que vive, porque tudo é interdependente.
Para ele, o ódio nasce da ilusão da separação, o amor cura ao lembrar que somos parte de um mesmo corpo planetário. Quando um coração se abre, a vibração muda e o campo sutil da vida responde. Há uma biologia do amor, uma ecologia da ternura.
O amor é mesmo o meu assunto predileto. Acredito nesta revolução silenciosa em curso. Silenciosa, porque falar de amor ainda é uma transgressão e nem todo mundo quer correr riscos ao dar voz a um tema tão passível de críticas e julgamentos apressados. Mas amor é coragem.
Meu filho caçula casou. Está vivendo de forma corajosa um amor inspirador. A emoção dos noivos resgatou minha paixão por escrever sobre o amor. Meus filhos gêmeos, Carol e Nando, que são mais velhos que o Antonio, o que casou, fizeram uma declaração de amor ao irmão e à cunhada, Alê, das mais lindas que eu já vi até hoje. Ali, naquele instante, estava uma lição que vivi inteiramente. Algo em mim foi curado e me colocou de volta na trilha desse amor revolucionário, aquele que citei na abertura desta crônica. O que vai desadoecer o mundo.
Ainda que seja uma revolução lenta, o amor é paciente. Essa paciência é sua forma mais alta de inteligência, que promove o poder de transformar sem pressionar, de inspirar sem impor.
Amar é criar uma nova verdade compartilhada, um novo modo de existir no mundo. É da natureza revolucionária do amor inventar novas realidades. Lágrimas de alegria são rios amorosos que teimamos em conter. Nosso coração de humano é mole. Negamos que o amor pode entrar fácil nele, de tolos que somos. Já é tempo de amar mais e melhor.