Não responder é uma resposta. Não reagir é dizer algo. Admitir que não é capaz de opinar, naquele momento, é libertador. Glória Pires estava certa.
Na vida, e no jogo, é bom relembrar que podemos estrategicamente “passar”, não inflar uma aposta em uma mão ruim. Simplesmente ficar fora daquela rodada. Praticar o direito inalienável de liberdade de expressão é muito diferente de obrigar-se a emitir opinião sobre tudo e todes. Isso é adoecedor para quem pratica, e tóxico para o entorno.
O crescimento acelerado dos palcos nas redes distorce a função social da opinião do grupo como promotora do processo civilizatório. A opinião onipresente, não solicitada e aferrada às próprias crenças, é um desleixo com o outro.
É nessa ausência de zelo, na incapacidade de calar-se para realizar a boa escuta do outro, que está plantada, com raízes profundas, a era da deselegância. Uma época em que o dito alheio desdiz o dito do sujeito, que pratica ou sofre a ação, como se esse fosse.
As redes sabem melhor como sofrer, como passar por um luto, como chorar uma perda. Também sabem como lidar com uma separação de casal, mesmo sem fazer parte da dupla, sabem ainda como um bebê deve ser fisicamente para ser aceito e se pode ou não estar nas fotos e vídeos feitos pelos pais. Enfim, as redes não dormem, a internet não descansa, não deixa passar uma. As redes, adoecidas, adoecem.
No palco do novo mundo, qualquer velha opinião sobre tudo parece fazer sentido, porque disfarça a angústia diante de futuros cada vez menos óbvios ou fáceis de planejar.
Mas será que todo assunto merece um discurso autoral? Apressar-se para opinar sobre tragédias ou comédias pessoais, beijos, queijos, vinhos e etc. é mesmo imprescindível?
Tá certo que quem caiu na rede, colocou o ego para jogo. Mas precisamos mesmo entrar em todas as rodadas? Quem sabe, elegantemente, possamos deixar o outro falar de si, do seu trauma, do seu drama ou alegria, de como ama ou fica bravo, sem emitir opinião?
Escutar o outro, em silêncio, é elegante.