Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

E agora?

Vitória da democracia e busca de consensos para a reconstrução do Brasil

Consensos nada fáceis já que transitam do ponto de vista ideológico do liberalismo econômico ao desenvolvimentismo; da prioridade para a iniciativa privada a questões de desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável

Publicado em 03 de Novembro de 2022 às 01:00

Públicado em 

03 nov 2022 às 01:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

O resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2022 traz como marca a vitória de amplo espectro político-ideológico que entende o valor maior da democracia sobre um campo de direita pouco afeito a valores democráticos. Os resultados numéricos refletem, entre outros, o uso despudorado por parte do candidato à reeleição da máquina governamental na busca de aliados políticos e votos populares e a instrumentalização de igrejas e suas pautas de costumes pouco afeitas a uma sociedade que se quer plural e diversa.
Vitoriosa eleitoralmente, a frente ampla em favor da democracia tem agora como desafio a reconstrução do Brasil. Reconstrução do aparato estatal montado e aperfeiçoado para atender às diretrizes maiores da Constituição de 1988. Diretrizes que valorizavam a soberania nacional; a inclusão social; o crescimento econômico; a preservação ambiental; a diversidade cultural; o desenvolvimento científico e tecnológico, entre outros temas.
Para cada uma dessas diretrizes foram montadas e aperfeiçoadas estruturas voltadas para a gestão, o acompanhamento de resultados e a transparência do que e de como ocorriam as ações dos governos. Estruturas para que o país tivesse políticas republicanas em campos que variavam das relações internacionais; a aquelas voltadas para a inclusão econômica, social e cultural de forma a mais universal possível; a aquelas direcionadas para temas que se tornam cada vez mais importantes para a sobrevivência dos humanos em um mundo sob riscos ambientais sistêmicos.
O processo de construção e aperfeiçoamento de estruturas voltados para uma nação soberana, inclusiva, plural e diversa foi longo. Só a título de ilustração, o invejável Sistema Único de Saúde que hoje existe no país tem raízes no proposto e feito em termos de saúde pública por Oswaldo Cruz desde o final do século XIX. Os quadros da diplomacia, da pesquisa científica e tecnológica, do planejamento e operacionalização do desenvolvimento nacional, entre outros, remontam a mais de sete décadas.
Décadas de construção e aperfeiçoamento de estruturas que foram abaladas por ações que desde 2015 têm levado o Brasil a impasses políticos que resultaram no uso indevido de órgãos públicos em favor de interesses de poucos aliados em detrimento daqueles de um projeto de nação. Projeto para um Brasil inclusivo, diverso e plural que agora precisa ser retomado a partir de consensos a serem construídos a partir das forças democráticas que elegeram Lula presidente para os próximos quatro anos.
Consensos nada fáceis já que essas forças transitam do ponto de vista ideológico do liberalismo econômico ao desenvolvimentismo; da prioridade para a iniciativa privada a governos mais ativos em questões de desenvolvimento econômico e social ambientalmente sustentável.
Consensos que precisarão contemplar também segmentos políticos mais à direita e que estão representados em bancadas no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, nas câmaras de vereadores e nos executivos estaduais e municipais. Tarefa nada fácil para quem tenha uma noção mínima de realidade.
Dificuldades a serem superadas através de tempos maiores do que aqueles gastos por forças antidemocráticas para trazerem o país aos impasses em que se encontra. Impasses do afastamento do já experimentado protagonismo internacional em questões fundamentais para a humanidade como a crise climática e o risco atômico. Impasses do empobrecimento da maior parte população e da falta de perspectivas para todas as gerações.
Como destruir é mais fácil do que construir, que o Brasil comece sua reconstrução com a suave brisa do acreditar que voltou a soprar com os resultados das eleições presidenciais em 30 de outubro. Brisa que traz alento sobre o futuro de nossos filhos, netos e bisnetos e que torna o presente de todos melhor do que tem sido nos últimos anos.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Membros da Igreja da Praia em frente ao tempo, na Praia do Canto
Tradicional igreja evangélica da Praia do Canto comemora meio século
Festival de Inverno de Guaçuí terá shows de Alexandre Pires, Almir Sater e Paulo Ricardo
Festival de Inverno de Guaçuí terá shows de Alexandre Pires, Almir Sater e Paulo Ricardo
Imagem de destaque
Hantavírus pode ter se espalhado entre passageiros no navio em que 3 já morreram, diz OMS

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados