A ideia do crescimento econômico enquanto objetivo permanente é insustentável conforme demonstram estudos ao longo dos últimos 80 anos. Mais remotamente eles buscavam argumentar com os limites da natureza diante da possibilidade de uma melhor distribuição do progresso econômico entre todos os humanos.
Mesmo sem considerar esse objetivo de equidade, o processo de crescimento concentrado em poucos países e voltado para o benefício de uma pequena parcela da população está falido. Porque já levou à depredação da natureza a um ponto de não retorno; porque depende de gastos de guerras que se sucedem; porque provoca esgarçamento do tecido social em todas suas dimensões.
Falência expressa pelas crises sistêmicas da emergência climática; da redução de espécies de seres vivos e diminuição da população daquelas que sobrevivem; da contaminação desses; da crescente escassez de alimentos e água saudáveis; e da baixa geração e distribuição de energia limpa e sustentável. O enfrentamento dessas crise sistêmicas implica em dois processos simultâneos.
O primeiro, aquele de promover o decrescimento de todas atividades econômicas que contribuem para o agravamento dos diversos componentes da crise. Isso implica, por exemplo, que setores produtivos baseados no uso intenso de recursos naturais não renováveis devem ter seu crescimento desestimulados.
Dentre esses setores encontram-se as cadeias produtivas do petróleo (de sua extração às indústrias automobilística e petroquímica); da construção civil que utilize intensamente recursos minerais; os segmentos do agronegócio que utilizam intensamente água, desmatamentos, agrotóxicos e geram gases de efeito estufa.
Para essas e outras cadeias produtivas é preciso ser pensada um estratégia de decrescimento a começar pela redução na concessão de incentivos fiscais, crédito subsidiado, licenciamento ambiental para expansão e apoio ao consumo.
O segundo processo de enfrentamentos das crises sistêmicas é o de apoio e incentivo a tecnologias, inovações e implantação de projetos voltados para a produção de bens e serviços que substituam aqueles que as agravam. Soluções que substituam, por exemplo, o veículo individual e privativo; a energia a partir de fósseis etc.. Nesse apoio e incentivo é importante que se evitem tentativas de substituir grandes plantas industriais que agravam as crises por grandes plantas que eventualmente geram menos impacto em elementos delas.
Ou seja, a busca de economias de escala (quanto maior o volume produzido, menores os custos unitários) deve ser substituída pelo esforço voltado para a economia de escopo (produção em unidades menores em locais o mais próximo possível do consumo e que se complementem).
No segmento automobilístico, por exemplo, o incentivo deve ser dado a elos intermediários (produção de autopeças e serviços de manutenção) que ampliem a vida útil da frota já em circulação usando tecnologias que permitam a diminuição do uso de derivados do petróleo.
Para responder de forma efetiva aos desafios do enfrentamentos das crises sistêmicas é preciso mudar a lógica de produção, circulação e consumo de bens e serviços. Mudança no sentido de priorizar enquanto elementos fundamentais o uso sustentável de recursos naturais; a emergência climática; e o bem-estar social nas tomadas de decisão de governos e de empresas.
Ciência, tecnologia, gente capacitada e recursos financeiros para tanto existem. O que se faz necessário já é mudar seus respectivos usos tirando dos que precisam decrescer e colocando nos que devem ter seu crescimento fomentado.