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Brasil

Que sejam bem-vindos os novos tempos de debates plurais

As mesmas forças que se uniram para eleger um governo comprometido com a democracia e com a justiça social dão agora sinais de tensionamento em dois temas

Públicado em 

23 fev 2023 às 00:15
Arlindo Villaschi

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Arlindo Villaschi

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante uma reunião com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da   Silva, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante uma reunião com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington Crédito: Alex Brandon/AP/Ag. Estado
Das inúmeras virtudes da democracia, uma é que ela enseja construção de consensos entre grupos com pensamentos distintos, mas que convergem forças quando algo maior está em jogo. O Brasil vivenciou recentemente a construção de uma frente ampla de apoio à regras democráticas e de repúdio a ideias e praticas autoritárias de quem esteve no poder nos últimos quatro anos.
As mesmas forças que se uniram para eleger um governo comprometido com a democracia e com a justiça social dão agora sinais de tensionamento em dois temas de relevância para o exercício da soberania nacional e o de uma política econômica voltada para um modelo de crescimento que gere empregos e distribua renda.
No caso da soberania, a visita do presidente Lula aos Estados Unidos para encontro com o presidente Biden demonstrou, por um lado, a necessidade de uma agenda comum entre os dois países. Agenda comum que contemplou dois temas de relevância mundial para os quais o Brasil recupera protagonismo perdido desde o golpe de 2016. Tanto o compromisso com a emergência climática quanto com a democracia foram reiterados pelos dois mandatários. Em ambos os casos o papel central do Brasil foi reconhecido explicitamente pelo presidente estadunidense e pelos noticiários sobre o encontro.
Registrados esses pontos em comum, ficou claro que há um divergência entre a maneira como os Estados Unidos desejam conduzir a questão do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a posição da administração Lula. Um lado vê a guerra como forma quase exclusiva de resolver conflitos entre países enquanto que o outro entende que a negociação diplomática precisa ser priorizada.
Divergência que causa incômodo ao modo de fazer política externa dos Estados Unidos. Uma vez mais o Brasil reiterou que nem sempre vai adotar posição de alinhamento automático aos ditames da geopolítica da maior potência militar do mundo. Posição contestada internamente por forças políticas que preferem a zona de conforto de buscar responder positivamente aos ditames dos interesses maiores dos EEUU.
No campo da política econômica, abriu-se oportunidade para que a efetividade da autonomia do Banco Central fosse objeto de debate plural. Oportunidade para discutir, por um lado, os resultados alcançados desde que essa autonomia foi estabelecida.
Por outro, para questionar a teoria que embasa a prática de juros altos para assegurar o controle da inflação segundo o regime de metas. Questionamento teórico baseado em resultados empíricos que são examinados criticamente por estudiosos e que apontam para a necessidade de balizamento por parte do Banco Central que vá além da defesa plena dos interesses do sistema financeiro.
A polarização das discussões sobre políticas externa e econômica é mais do que bem-vinda. Elas precisam ganhar espaços para além do que é noticiado pelos dos grandes veículos de comunicação. Veículos cujas manchetes e editoriais são mais propensos à zona de conforto de adesão acrítica aos interesses dos Estados Unidos, no plano externo, e àqueles do sistema financeiro, no campo da política econômica.
Novos espaços de debates entre posições divergentes precisam ser construídos e ampliados tanto no âmbito dos legislativos federal, estaduais e municipais quanto em esferas da sociedade civil organizada. Tarefa que precisa da disponibilidade das mesmas forças que se uniram para assegurar a vitória da democracia nas eleições de 2022.
Vencidas as eleições é hora de construir política externa e política econômica que reflitam os desejos demonstrados pelas urnas por um Brasil protagonista do que acontece no mundo e comprometido com um sociedade e uma economia mais inclusiva das pessoas e dos demais seres viventes.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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