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História do ES

Portos, aterros e engordamento de praias

Mudanças provocadas nos fluxos de marés em áreas vizinhas pela implantação de instalações portuárias de porte em Anchieta e em Aracruz têm tido como resposta fácil o engordamento de praias como a de Meaípe

Publicado em 10 de Julho de 2025 às 02:00

Públicado em 

10 jul 2025 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

O Espírito Santo tem na atividade portuária um pilar de seu processo de crescimento econômico desde sempre. Num primeiro momento portos como os de São Mateus e Itapemirim serviram para a navegação de cabotagem que escoava a produção local para o porto do Rio de Janeiro.
Com a implantação de instalações portuárias na Baía de Vitória com calagem para receber navios de até 50 mil toneladas foi aberta a possibilidade do fluxo de mercadorias se dar diretamente com o exterior. Por ali foram escoados café, madeira, celulose, produtos siderúrgicos, grãos, dentre outros, produzidos no território capixaba e em outros estados de sua hinterlândia.
Na medida em que a escala de produção e a capacidade de transporte de novos graneleiros aumentou foram buscadas novas alternativas para a implantação de portos com calagem suficiente para navios com capacidade de transportar mais do que cem mil toneladas. O primeiro desses foi o Porto de Tubarão projetado na década de 1960 para receber navios que ainda estavam sendo projetados em pranchetas no Japão.
As operações portuárias na baía abrigada entre Vitória e Vila Velha passaram a exigir dragagem de seu canal de acesso a partir dos anos 1950 e a alternativa mais barata de depósito do material retirado foram os sucessivos aterros que aconteceram na Capital. Aterro da Capixaba, de Bento Ferreira, da Ilha de Santa Maria, da Ilha do Príncipe, da Enseada do Suá / Ilha do Boi. Aterros que reconfiguraram a paisagem da cidade com sistema viário para atender o crescimento da frota de automóveis que por ela circula e abrigaram em seus espaços residencias para classes de renda média/alta e instalações comerciais e de serviços.
As mudanças provocadas pela construção de sucessivos píeres em Tubarão começaram a ser sentidas na orla de Camburi já na década de 1970. Para proteger propriedades ali existentes foram executadas obras de engordamento da praia e píeres a ela perpendiculares.
De forma semelhante, mudanças provocadas nos fluxos de marés em áreas vizinhas pela implantação de instalações portuárias de porte em Anchieta e em Aracruz têm tido como resposta fácil o engordamento de praias como a de Meaípe e o que está proposto para praias no município da Serra.
Praia de Meaípe, em Guarapari
Praia de Meaípe, em Guarapari Crédito: Marcelo Moryan
Resposta fácil porque o correto seria fazer estudos que permitissem um melhor entendimento do que ocorreu a partir da construção de píeres para abrigarem instalações portuárias de porte nesses municípios. A partir desse melhor entendimento poderiam ser buscadas soluções mais adequadas para os problemas derivados de cada uma dessas obras na costa.
Soluções mais adequadas provavelmente a custos mais elevados e que precisam ser arcados por quem provocou esses problemas derivados. Obras feitas para conter prejuízos a propriedades em bairros ao longo da costa podem ser mais rápidas e responderem à pressão de proprietários com poder de pauta que se sentem prejudicados. Mas estão longe de serem o encaminhamento mais apropriado para a questão.
Pior, oneram cofres públicos com despesas que precisam ser cobertas por quem provocou o problema. Daí a necessidade de uma nova maneira de desenhar e operacionalizar políticas politicas públicas e seus consequentes programas de investimentos.
Urge o estabelecimento de mecanismos efetivos de responsabilização de quem ganha com a exploração do meio ambiente fazendo com que arquem com os custos sócio-econômicos-ambientais dos impactos gerados. Mecanismos que reflitam o compromisso com um modelo de desenvolvimento que respeite os territórios, proteja os ecossistemas e garanta que recursos públicos sejam investidos em áreas prioritárias como saúde, educação, cultura, lazer e qualidade de vida para toda a população.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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