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Economia

O mercado falhou na terra de Margaret Thatcher

Ainda que governantes como Boris Johnson prefiram imputar fracassos sociais e econômicos à União Europeia, à China e aos imigrantes, o fiasco neoliberal fica a cada momento mais exposto

Publicado em 07 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

07 out 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

Margaret Thatcher, a dama de ferro
Margaret Thatcher, a dama de ferro, foi primeira-ministra da Grã-Bretanha nos anos 80 Crédito: Divulgação
A liberdade de mercado enquanto instrumento que melhor atende a interesses individuais e coletivos de qualquer sociedade tornou-se um dogma no mundo ocidental nas últimas décadas. A partir do empenho com que Reagan, nos Estados Unidos, e Thatcher, na Grã-Bretanha, basearam suas políticas de governos no atendimento aos interesses dos poderosos financeiros, a adoção dos princípios neoliberais foi mais acelerada em países outros do que na matriz anglo-estadunidense.
O adesismo acrítico e muito rápido da ditadura de Pinochet no Chile é um bom exemplo. No Brasil demorou um pouco mais o engajamento ao dogma porque durante o período militar por aqui ainda existia uma ala das forças armadas que pensava o país com olhares de soberania, ainda que relativa.
Os resultados de onde as políticas neoliberais levaram os dois países são reconhecidos por quem valoriza desenvolvimento com um mínimo de autonomia; necessário bem-estar social; e valorização de bens naturais. Colocar os interesses de algumas poucas pessoas com negócios vinculados aos Estados Unido acima do bem comum esgarçou o tecido social e diminuiu os graus de liberdade de políticas econômicas tanto no Chile quanto no Brasil.
As justificativas dadas por quem continua apologista do mercado financeiro é que as falhas se deram porque as reformas feitas estavam muito aquém do necessário para que o mercado realmente funcione. Nada surpreendente em se tratando de olhares colonizados que são afeitos a atender o ditado pelo mundo das finanças. Interesses nacionais, para esses, é uma luta ideológica perdida.
Argumentos semelhantes, ainda que mais sofisticados, fizeram parte da cantilena dos que se colocam no espectro do centro, mas também ideologicamente identificados com o neoliberalismo. Os resultados também lá são reconhecidos. Tanto nos Estados Unidos quanto na Grã-Bretanha, movimentos populares surgiram para denunciar o hiato entre os 1% que muito têm e um percentual crescente que se empobrece a cada ano.
Nas terras de Thatcher onde a privataria também foi forte, vem há algum tempo sendo desnudadas as falácias da prometida eficiência de empresas privadas na oferta de serviços essenciais como saúde, energia, saneamento, transporte, habitação, dentre outros.
Por isso por lá cada vez mais é pautada a necessidade de reestatizar empresas que oferecem serviços fundamentais para a sociedade a custos cada vez maiores e de qualidade crescentemente sofrível. Ainda que governantes como Boris Johnson prefiram imputar fracassos sociais e econômicos à União Europeia, à China, aos imigrantes etc., o fiasco neoliberal fica a cada momento mais exposto.
Exposição que chega ao limite do ridículo quanto o governo conservador em terras britânicas responde à crise de abastecimento que por lá graça com algo que a muitos parece coisa de colônia atrasada: a utilização de militares como motoristas para o transporte de derivados de petróleo e de outros produtos essenciais à população e ao funcionamento da economia.
Parece irônico: a liberdade de mercado fez água nas terras de Thatcher até mesmo na movimentação de cargas. Lá, pelo menos, há o reconhecimento explícito de que a apologia das virtudes ao mercado tem limites. Jornais britânicos divulgaram fala do primeiro ministro Johnson no fim da semana passado quando da convenção do partido conservador.
Segundo ele “… as filas em postos de combustíveis e o abate em massa de suínos por falta de trabalhadores nos abatedouros fazem parte de uma necessária transição que permita o emergir de uma Bretanha que se afaste de um modelo econômico falido baseado em baixos salários”.
Enquanto isso, por aqui os neoliberais que controlam a pauta econômica do governo continuam professando que mais reformas e menos direitos são necessárias para que funcionem os remédios amargos impostos em nome do crescimento. Mais do que agredir o constatado por quem acompanha os resultados de reformas e perdas de direitos postas em práticas desde 2016, essa diretriz é cruel tanto para com a maioria da população quanto para com as possibilidades de um Brasil soberano.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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