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Arlindo Villaschi

Candidatos, tem lição da Shakira para vocês

Cada uma com seu histórico singular, as Shakiras brasileira precisam ser vistas para muito além de uma questão individual

Publicado em 14 de Maio de 2026 às 02:30

Públicado em 

14 mai 2026 às 02:30
Arlindo Villaschi

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Arlindo Villaschi

Às vésperas de seu último espetáculo em Copacabana, a cantora Shakira publicou artigo em que justificava a escolha daquela praia, do Rio de Janeiro, e o momento em que realizava sua apresentação. Apresentação que fez parte de sua turnê Las mujeres ya no lloram, inspirada em sua experiência pessoal de um mundo de vida conjugal que desmoronou, sem sinais graduais.


“Foi em uma única manhã em que acordei uma mulher diferente. No dia seguinte, tive de me levantar da mesma forma, preparar café, levar as crianças para a escola, atender o telefone, manter a carreira. A vida não dá descanso às mulheres quando elas se veem repentinamente sozinhas, com tudo nos ombros.”


Experiência semelhante de mulheres que, informam as estatísticas, sustentam 40 milhões de lares brasileiros. Cada uma com seu histórico singular, as Shakiras brasileira precisam ser vistas para muito além de uma questão individual, algo que diz respeito a uma mulher específica e sua eventual rede de apoio familiar, de vizinhança e de amigas.

Shakira se apresentou no Rio de Janeiro
Shakira se apresentou no Rio de Janeiro Reprodução @shakira

As múltiplas, diversas e plurais experiências dessas cidadãs que assumem e levam em frente da melhor forma possível a tarefa de sustentáculo afetivo e financeiro de suas famílias, precisam deixar de ser vistas como uma questão individual e se tornarem um tema social. Social e, portanto, político.


Social e político para muito além de uma questão de gênero; muito além de um problema a ser debatido e encaminhado por mulheres e homens feministas. Essas mulheres, sustentáculos únicos de famílias, são uma questão social, econômica e política a ser considerada por todos.


Independentemente das dimensões éticas e morais que as justificam, desenhar e operacionalizar políticas públicas dirigidas especificamente para mulheres que são arrimo de família responde ao básico da racionalidade econômica, social e cultural.


Economicamente é reconhecido o quanto se multiplica cada real alocado a mulheres à frente da gestão de suas casas. Socialmente, quanto mais providas de recursos educacionais são essas mulheres mais efetivos são os retornos para a sociedade via seus filhos e dependentes.  


Culturalmente, porque mulheres reconhecidas em sua igualdade diante dos homens se tornam alicerce para a quebra dos ciclos viciosos do machismo tóxico: abandonadas/desprovidas da capacidade de prover a si e seus dependentes/vítimas de violências crescentes, inclusive o feminicídio.

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O debate sobre a questão dos milhões de lares brasileiros sob a responsabilidade de mulheres precisa se tornar pauta explícita de debate público em todas as instâncias possíveis: nos bairros, nos governos, nas empresas, nos movimentos sociais, nos sindicatos, nos partidos.  


Debate público que precisa ir muito além do estabelecimento de cotas ‘faz de conta’. Inclusive porque estabelecimento de cotas pode simplificar o problema e o tornar ‘tema das mulheres’.


O tema é de todos que se querem humanos e de tantos quantos desejam construir outros mundos possíveis. Por isso, o momento eleitoral pode ser oportuno para se entender mais e melhor quais os reais compromissos dos partidos e seus candidatos que neste 2026 disputarão a presidência da República, cadeiras no Senado e na Câmara dos Deputados, governos e vagas em assembleias legislativas estaduais.


Real e efetivo compromisso de candidatos com o encaminhamentos de políticas públicas voltadas para as especificidades de mulheres chefes de família é instrumento necessário para o combate aos vergonhosos índices de feminicídio, de baixo desempenho escolar de crianças de famílias mais carentes, de atração de mais vulneráveis para atividades ilícitas.  


Por isso, é compromisso que precisa ser explícito, amplo, geral e irrestrito.

É compromisso que precisa ser estabelecido a partir da escuta dessas mulheres a quem a vida não dá descanso.   

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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