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Política

Parodiando Chico Buarque na avaliação do governo Lula 3

Acostumado a agir como árbitro e deixar a micropolítica para seus ministros e assessores, presidente agora é levado pelo imperativo da realidade a participar das negociações políticas

Publicado em 10 de Junho de 2023 às 00:20

Públicado em 

10 jun 2023 às 00:20
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

O presidente Lula durante cerimônia de inauguração e visita à nova linha de produção da fábrica da Eletra, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), no dia 2 de junho de 2023
O presidente Lula durante cerimônia de inauguração e visita à nova linha de produção da fábrica da Eletra, na cidade de São Bernardo do Campo (SP), no dia 2 de junho de 2023 Crédito: Futura Press/Folhapress
O noticiário político mostra que o presidente Lula entrou em campo na articulação política. Segurou no leme do barco e acionou o sinal de alerta. Já não era sem tempo.
Instintivamente, ele calibrou a bússola para a rotação da realpolitik na política interna. O mesmo precisa ser feito na política externa. A resultante da operação das duas políticas é um jogo de soma zero. Abalou o prestígio do líder político Lula, para além da presidência da República.
Acostumado a agir como árbitro e deixar a micropolítica para seus ministros e assessores, ele agora é levado pelo imperativo da realidade a participar das negociações políticas – atuar no modo “prevenção de crises”, dado um quadro de instabilidade política. Seu prestígio e sua autoridade estão ameaçados pelo parlamentarismo branco movido a taxímetro de emendas (tomando emprestado uma feliz imagem usada por Maria Cristina Fernandes).
O presidente enfrenta a tempestade perfeita da confluência de equívocos de varejo nas políticas externa e interna. Para recuperar a força simbólica e real da presidência da República – força institucional e política. Restabelecer a autoridade presidencial.
No xadrez cotidiano do processo político, as pedras de Lula se movimentam para aproximação com o Senado e com o STF. Mas é preciso dialogar e conviver com a Câmara Federal – com ou sem Arthur Lira, cujo poder é transitório.
Nessa direção, além de entrar em campo, o presidente Lula precisa ajustar a representatividade do seu ministério. A composição do ministério não representa, hoje, a mediana de formação partidária da Câmara.
Partidos como o Republicanos e o PP estão ausentes ou sub-representados. É preciso voltar com a ideia de Frente Ampla: tanto no Parlamento, quanto na sociedade. Resignificar uma Frente Ampla. Ao longo da semana, Lula admitiu a possibilidade de mudanças pontuais no ministério.
Além desse ajuste, para além das fulanizações e do fogo amigo, está claro que falta na equipe do governo alguém que diga ao presidente quando não fazer alguma coisa. Isto é, falta (parodiando Chico Buarque) o ministro do “vai dar merda”. Alguém com estatura e experiência para divergir do mito Lula.
Saindo do plano da micropolítica e da fulanização, é preciso mirar não apenas a conjuntura. Isso significa internalizar a constatação que o arranjo institucional do parlamentarismo branco é foco de instabilidade. Olhar a estrutura.
Há que se ajustar as estruturas institucionais do sistema político em vigor. E continuar o processo incremental de reformas políticas, principalmente a democratização do sistema partidário oligárquico e a reforma do sistema eleitoral. Quanto ao semipresidencialismo, na prática já está em vigor. Só que em padrão “jeitinho brasileiro”. Aí é que está o problema.
Tudo somado, o ambiente é de instabilidade política e incerteza econômica, mesmo com as boas notícias sobre o crescimento do PIB e a queda da inflação. A instabilidade política continua causando incerteza econômica. A agenda político-institucional é tão (ou mais) importante que a agenda econômica.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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