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Brasil

Nós, brasileiros, não merecemos mais viver de ilusões

Nem podemos deixar que o otimismo de manada dos analistas do mercado financeiro nos leve à credulidade da saudosa velhinha de Taubaté, nem podemos cair no fatalismo e perder a resiliência e a capacidade de superação

Publicado em 26 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 jun 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Manifestação contra Bolsonaro no DF
Manifestação contra Bolsonaro no dia 19 de junho, em Brasília Crédito: TV Globo | Reprodução
A metáfora do copo meio cheio ou meio vazio está presente nos subtextos e debates sobre a conjuntura nacional. Temo que as aparências dos momentos fugazes possam turvar as essências dos movimentos estruturais das nossas placas tectônicas. Nós, brasileiros, não merecemos mais viver de ilusões. Não acreditamos mais no slogan do país do futuro.
Nem podemos deixar que o otimismo de manada dos analistas do mercado financeiro nos leve à credulidade da saudosa velhinha de Taubaté, nem podemos cair no fatalismo e perder a resiliência e a capacidade de superação. Nossa resiliência é um forte atributo. Agora mesmo, os membros da geração dos septuagenários da Passeata dos Cem Mil, de 1968, se encontram no movimento “Geração 68 Sempre na Luta”. E deverão fazer um ato simbólico neste fim de semana. Pela democracia e em defesa dos avanços civilizatórios. Um forte simbolismo.
Voltando à conjuntura, vamos revisitar o panorama. Na economia, o impulso da âncora das commodities é real e bem-vindo. Mas não para otimismo exagerado. Parte da taxa de crescimento prevista para o PIB (em torno de 5%) vem do chamado carregamento estatístico. Roberto Macedo mostra que poderemos ter um crescimento real de 1,2% em 2021, o que já seria um avanço, mas não nos tiraria da longa depressão que vem lá de 2014. O segundo semestre deve ter freios e retrocessos, ele aponta.
Além disso, Orlando Caliman alerta que o crescimento da arrecadação federal, que repercute na diminuição da dívida pública, é ilusionismo estatístico. Ainda estamos mais para voo de galinha.
Na sociedade, o índice de Gini mostra um salto de desigualdade: chegamos a 0,674 no primeiro trimestre de 2021, um recorde. Acompanham a desigualdade, a pobreza, o precariado, o desemprego e a queda nos índices de aprendizado na educação. Claudio Moura Castro mostra indícios de um fosso educacional criado em 2020. Houve 73% a menos de aprendizado, em comparação com um ano escolar típico. Segundo ele, “o que era ruim, ficou pior”. Não é preciso dizer que haverá impacto sobre a produtividade na economia.
Na política, assistimos a uma involução orquestrada pelo modo Centrão de governar. Além da escalada do autoritarismo, da militarização e da instabilidade, a política brasileira assiste ao novo avanço dos nossos traços estruturais. Patrimonialismo; corporativismo; clientelismo; mandonismo; e “reburocratização” dos aparelhos de Estado. Para completar, a Câmara dos Deputados acelera reformas eleitorais que nos remetem à vanguarda do atraso e ao rastilho da ingovernabilidade e da deslegitimação da representação política.
A sociedade já começa a resistir. Esse impulso é vital para transformar a resiliência em resistência e em reversão de danos. Na direção de uma Frente Ampla para desembocar em 2022. Como sempre, a saída está na Política. Com todo respeito ao povo argentino, não podemos aceitar a sina histórica da “argentinização” do Brasil: a reversão do progresso e dos avanços civilizatórios.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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