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Eleições 2022

Clima antecipado de campanha alimenta a alienação política

Mais de três décadas depois da volta das eleições diretas para presidente, o Brasil deve ser levado, em 2022, ao divã da revisão do seu Contrato Social de Nação. Uma “DR” coletiva

Publicado em 19 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

19 jun 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

voto com elegância
Fenômeno da alienação e da rejeição à política é mundial Crédito: Shutterstock
A antecipação da campanha política no Brasil, forçada por Bolsonaro e impulsionada pela entrada de Lula, produz um paradoxo. Leva os políticos para a costura antecipada de candidaturas. É mudança atípica de timing político. Ao mesmo tempo, distancia a juventude ainda mais da política. E fortalece a desconfiança nos políticos e na política: no eleitorado feminino, nos de baixa renda e nos jovens.
Como a estratégia de Bolsonaro não deve mudar, o timing antecipado vira inexorável. Inclusive para a(s) candidatura(s) do chamado Centro político. Quem errar o timing, chega atrasado. A toada de campanha exacerba o paradoxo e alimenta a alienação política. Como contornar o paradoxo?
Essa é a primeira incógnita do momento político nacional. As rejeições de Bolsonaro, de Lula e dos políticos em geral são muito altas. Assim como o ceticismo nas instituições. A segunda incógnita, decorrente da primeira, é a do caráter de ponto de inflexão das eleições gerais de 2022. Trinta e três anos depois da volta das eleições diretas para presidente, em 1989, o Brasil deve ser levado, em 2022, ao divã da revisão do seu Contrato Social de Nação. Uma “DR” coletiva, que requer das candidaturas um projeto de país.
O fenômeno da alienação e da rejeição à política é mundial. Mas vale esmiuçar duas especificidades no momento do Brasil. Quanto aos jovens, um levantamento da FGV Social mostrou queda acentuada na confiança nas instituições e maior insatisfação com a vida no presente, gerando grande angústia. São 50 milhões de jovens na faixa entre 15 e 29 anos, 26% da população. Uma desesperança que terá efeitos futuros na formação da nação. Como a política vai lidar com este grave problema? Como dialogar com essa angústia?
A outra especificidade foi detectada em sondagens realizadas por Esther Gallego e Camila Rocha. Elas revelam eleitores decepcionados com Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, desconfiados da oposição, decepcionados com o PT, com os partidos em geral e com o sistema político. Para Gallego, é um sentimento antissistema: “não se trata de uma desilusão pontual com um partido ou um indivíduo específico, mas com o sistema como um todo. Então não vai ser fácil para os políticos convencerem esse eleitor a se encantar novamente com a política”, conclui ela.
A superação do paradoxo e a revalorização da política passa pelas raízes da sociedade civil. O Brasil caminhou muito na participação política através de associações civis, movimentos sociais e sindicais e movimentos cívicos, fortalecidos a partir de 2013. Já nas redes sociais, a cidadania se manifesta através de personalidades, novas lideranças e “hubs” dos grafos sociais das redes. É um longo processo, de baixo para cima. Nossos políticos precisam ligar o sinal de alerta.
Vale lembrar Platão: “não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. É fundamental que os mais jovens ampliem a participação política nos movimentos cívicos e nas esferas da sociedade civil e das redes sociais, para oxigenar os partidos e fortalecer a democracia. É preciso reconectar a sociedade com o Poder. Pela via da política.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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