Aqui no Estado, o tempo da política se antecipou ao calendário gregoriano. Estão abertas as bolsas de apostas. Desta vez, não está valendo a máxima da política de que quem se antecipa pode queimar a largada. Pelo contrário.
Temos duas peculiaridades de conjuntura para 2022. Primeiro, a antecipação precoce da disputa nacional pelo
presidente Bolsonaro. Segundo, a peculiaridade regional de que a política capixaba está vivendo um “momentum” político de transição política.
No caso nacional, a candidatura de Bolsonaro, a entrada em cena do “fator Lula”, e a proliferação de pré-candidaturas ao centro do espectro político induzem movimentações políticas de formação de palanques regionais. Como o centro não mostrou ainda condições objetivas de união, a propensão à divisão congestiona a pista.
No caso regional, o atual favoritismo do
governador Renato Casagrande para a reeleição leva a sua geração para a pista. Para muitos, pode ser a última chance de virar governador, senador ou vice-governador. A fila começou a andar. Além disso, há necessidade de fazer palanques nacionais e só há uma vaga para o Senado. Sem contar que a cobiça pelo tesouro dos fundos partidário e eleitoral requer a escalação dos “bons de voto” para deputado federal: quanto mais deputado federal, mais fundos.
Pois bem. É aí que a semana registrou um fato político relevante. A senadora
Rose de Freitas (MDB) colocou o pé na porta para a vaga do Senado, que hoje é dela. Rose é corajosa e boa de voto. É uma vencedora na política capixaba. Está na pista desde 1982. Ganhou sete eleições e foi suplente em 1998 (depois assumiu em 2001). Uma vez, a sua atuação chamou a atenção do brasilianista Barry Ames. Então, tentei explicar a ele que ela era uma hábil especialista em trazer recursos para os municípios, embora nosso sistema não fosse distrital, e sim proporcional.
Além dela, o mercado político registra várias pré-candidaturas ao Senado. Algumas já tornadas públicas, outras não. Josias da Vitória e
Luciano Rezende, pelo Cidadania;
Amaro Neto e
Sérgio Meneguelli, pelo Republicanos; Ricardo Ferraço, pelo DEM; Magno Malta, pelo PL; e Gilson Daniel, pelo Podemos. Por último, mas não menos importante, o mercado especula sobre uma eventual candidatura do ex-governador
Paulo Hartung ao Senado.
Já para governador, além da provável candidatura do governador Casagrande (PSB), são nítidas as movimentações de
Carlos Manato (PSL);
Evair de Melo (PP);
Guerino Zanon (MDB);
Audifax Barcelos (Rede); e Aridelmo Teixeira (Novo). Sem contar que o inesperado pode dar notícias. É um quadro que prenuncia eleições de dois turnos.
E, aí, tem a vice-governadoria. Em 2022, deverá ser uma joia da coroa. Muitos mirando a vaga de vice na chapa do atual governador. São as expectativas de poder em formação.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta