Viviane Chaia, analista de pesquisas qualitativas, indica que o capixaba quer soluções dos candidatos a governador. “Terá mais chances quem agregar as angústias da população e transformar em discurso, propostas e produtos concretos”. Produto. Esse é o nome do jogo. Ela registra que a população empobreceu mais ainda. “No Espírito Santo, as classes “C1”, “C2” e “D” aumentaram a sua representatividade para em torno de 50% do eleitorado. Serão decisivas. Sem enxergar produtos, poderão confirmar a tendência de abstenção”.
Ao contrário de 2018, agora teremos um clima eleitoral que requer menos circo e mais pão. Eleições do pão com manteiga, como se diz na gíria política. Passamos do célebre texto de Paulo Pontes (“Brasileiro, Profissão Esperança”), para um bordão: brasileiro, profissão desesperança, diz Viviane. “Uma candidatura para criar empatia e mobilizar corações e mentes precisa ser verdadeira. O descrédito dos políticos profissionais é muito grande”. Ela tem captado que as aspirações centrais dos eleitores são emprego, renda, saúde e segurança.
Viviane observa que o governador Renato Casagrande é bem avaliado (somados o “regular”, o “bom” e o “ótimo”) e não tem rejeição relevante. “Num cenário nacional de muitas perdas, tivemos menos perdas no Espírito Santo”. Entretanto, ela enxerga que a eventual candidatura do governador tem fragilidades. O problema é a imagem de esquerda e de comunista, que é forte nas redes sociais. O eleitorado capixaba tem corte conservador. E o antipetismo resvala na esquerda em geral”.
Vem daí uma inferência dela: “Vejo um potencial para um fato novo, um candidato da raia da direita que fosse convincente e que tivesse um discurso que falasse ao coração e mente da faixa eleitoral de pobres e desempregados”. Para ela, Carlos Manato (PL?), teria potencial para ocupar esse espaço. “Manato cresce se tiver apoio de Bolsonaro e se for convincente, como foi Lorenzo Pazolini (Republicanos) em 2020. Resta saber se Bolsonaro vai apoiar um candidato para chamar de seu”.
Vem daí um olhar dela sobre a pré-candidatura de Erick Musso (Republicanos). “É uma interrogação, pode crescer se assumir propostas conservadoras, com produtos concretos e apoio eleitoral de Amaro Neto (Republicanos) e Pazolini. Mas vai transitar na mesma raia de Manato”. Estendendo seu olhar para outras pré-candidaturas, Viviane infere baixo potencial de crescimento, tanto pelo fato de que são candidaturas de redutos, como porque atuam na mesma raia da direita e centro direita.
Ela observa: “Felipe Rigoni (União Brasil) é ´local´ e, apesar de ter boa atuação nas redes e na Câmara Federal, não é conhecido pelo povão; Audifax Barcelos (Rede), é grande na Serra, mas a Serra não faz governador ; Guerino Zanon (MDB) também é local e tem a imagem de político profissional; e Aridelmo Teixeira (Novo) não tem perfil para as classes “C” e “D”. Se a “C” e “D” votarem, elas decidem”, ela conclui.
Viviane faz ainda uma ligeira observação sobre a vaga de senador da República. “No Senado, não cabe mais surpresas, o eleitor quer um senador experiente que tenha bom diálogo com o governo federal e o presidente da República”.
Tudo somado, nesse estágio de preparação para a largada, o desafio principal continua sendo o de superar a força da alienação eleitoral (abstenções, brancos e nulos). Empatia e agregação é o nome do jogo.