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Eleições 2024

Eleições municipais capixabas prometem ser “eleições de reeleições”

Nos municípios onde haverá candidaturas à reeleição, a tendência é das preferências recaírem sobre os incumbentes que estão sendo bem avaliados

Publicado em 03 de Agosto de 2024 às 01:00

Públicado em 

03 ago 2024 às 01:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Chegamos à largada para as eleições de 2024. As convenções partidárias terminam nesta segunda-feira (5). Já o limite para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral é no dia 15 de agosto. Agora, o jogo começa dentro da própria arena político-eleitoral.
Em termos mais gerais, estão cada dia mais prováveis no horizonte eleitoral duas tendências que se retroalimentam. Primeiro, a probabilidade da predominância das razões locais de votos: boas gestões e bons gestores. Com a consequente diminuição da predominância da polarização ideológica.
Segundo, nos municípios onde haverá candidaturas à reeleição, a tendência das preferências recaírem sobre os incumbentes que estão fazendo um bom trabalho. Ou seja, as reeleições daqueles prefeitos bem avaliados.
Mesmo na cidade de São Paulo, onde Lula e Bolsonaro já estimulam a polarização ideológica entre os seus respectivos candidatos (Guilherme Boulos e Ricardo Nunes), a opção pela gestão deve ser a razão predominante de voto. A recente pesquisa da Quaest em São Paulo mostra que o eleitor está cansado de polarização. A maioria dos eleitores quer prefeito “independente” de Lula e Bolsonaro: 51%.
Outras pesquisas já detectaram essa tendência. José Casado é cirúrgico: “a oito semanas do primeiro turno, o eleitorado reitera nas pesquisas a percepção de que há fadiga de material na política brasileira”.
Dei essa volta toda para olhar os exemplos do Espírito Santo. Fui observar pesquisas e conversar com analistas de pesquisas e com o mercado político. O ES tem (a confirmar até o dia 15) 49 candidaturas potenciais à reeleição. Já se pode apontar favoritos.
Os incumbentes tidos hoje como favoritos são: Lorenzo Pazolini em Vitória; Arnaldinho Borgo em Vila Velha; Euclério Sampaio em Cariacica; Wanderson Bueno em Viana; Dr. Coutinho em Aracruz; e Bruno Marianelli em Linhares. Sérgio Vidigal na Serra também seria um favorito, mas decidiu não concorrer (até agora...).
Urna eletrônica, eleição, voto, votação
Urna eletrônica, eleição, voto, votação Crédito: Shutterstock
Em Colatina, analistas vislumbram que, a preços de hoje, há chances reais do incumbente (Guerino Balestrassi) ter dificuldades para ser reeleito. Competição eleitoral mais acentuada.
Em outros municípios eleitoralmente importantes, como Barra de São Francisco (Enivaldo dos Anjos); São Gabriel da Palha (Tiago Rocha) e Jaguaré (Marcos Guerra), os incumbentes caminham para uma reeleição factível. O mesmo não deve acontecer, segundo analistas, em Nova Venécia. Lá, tudo indica que um ex-prefeito (Barrigueira Lubiana do PSB), se confirmada sua candidatura, pode até superar o atual prefeito, André Fagundes: competição mais forte.
Tudo somado, os “favoritos” são (em sua maioria) atores políticos mais jovens. E comandam gestões mais modernas, com perfis midiáticos e sabendo usar bem as redes sociais. Acima de tudo, fizeram muitas entregas nesse período de mandato.
Entregas. Esse é o nome do jogo em 2024. Menos ideologia, mais gestão.
Lembrando, entretanto, aos senhores candidatos que o cenário das finanças municipais para depois de 2025 (quando se inicia o novo mandato) deverá ser mais difícil. Portanto, cuidado com as promessas. O eleitor está cansado de ideologia - mas também de “promesseiros”.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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