A filiação do ex-prefeito Audifax Barcelos ao PP é um fato político relevante. Ele já é o pré-candidato do PP a prefeito da Serra, segundo o deputado Da Vitória, presidente do partido no ES.
O PP, como se especula no mercado político, organiza-se para disputar eleições majoritárias em 2026 no Espírito Santo. Evair de Melo para governador e Da Vitória para senador. Ou vice-versa, segundo as especulações correntes.
Para isso, precisa ter bom desempenho nas eleições municipais de 2024. A Serra tem eleitorado robusto: 354.968 eleitores, 8,2% do eleitorado estadual.
Nesse contexto, Audifax é uma conquista político-eleitoral relevante. No ano que vem, vai estar quatro anos longe do poder e com menor “recall”. Teve visibilidade em 2022, quando disputou a governadoria. Mas não foi competitivo. Mostrou-se um político de base paroquial – a Serra –, apesar de ser evangélico e ter amplitude estadual.
Pragmático, Audifax é uma metamorfose ambulante, do ponto de vista partidário e programático. Passou pelo PT, PDT, PSB, Rede, e agora PP. Quando se filiou ao Rede, declarou-se de esquerda, centro e direita, na trilha de Gilberto Kassab (PSD). Agora, apenas resumiu: “Sempre fui mais do campo conservador”.
Dito isso, intuo que a sua entrada na disputa da Serra, se for confirmada também a candidatura de Sérgio Vidigal (PDT), poderá reeditar o padrão capitania hereditária do município: de 1976 a 2024, apenas quatro políticos terão governado a cidade. Quase meio século.
José Maria Feu Rosa (PTB) e João Baptista Motta (PSDB) se revezaram até 1996. Sérgio Vidigal (PDT) e Audifax Barcelos (agora PP) se revezam até agora. Em 2024, poderá haver, outra vez, um duelo digno dos melhores faroestes: Vidigal x Audifax.
Digo “poderá reeditar o padrão” porque intuo, também, que Pablo Muribeca (Republicanos) – já lançado pré-candidato pelo Republicanos – poderá surpreender como efeito surpresa. Tido como um político caricato, Muribeca pode representar, digamos, um efeito Milei na política da Serra.
Vamos lembrar que Javier Milei também era tido como caricato. Por que o efeito Milei? Primeiro porque há clara fadiga de material tanto de Vidigal (que já esteve oito vezes na cédula eleitoral), quanto de Audifax (que estaria pela quinta vez na cédula).
Segundo, porque os jovens (16-34 anos) representam 1/3 do eleitorado da Serra. E estão querendo caras novas e propostas novas, com aversão aos políticos (como no fenômeno Milei).
Como disse outro dia uma jovem para mim, é o eleitorado do TikTok. Um fator disruptivo do ponto de vista da contestação do fator “capitania hereditária”.
Assim, o populismo carismático de Vidigal, com sua longa experiência de psicanalista, e o pragmatismo racional de Audifax, com os seus pré-avisos já emitidos sobre os efeitos regressivos da reforma tributária na Serra, poderão ter que enfrentar a ginga TikTok de Muribeca, um ex-vereador que sabe trabalhar bem a política nas redes sociais. Ele está no Republicanos, mas, assim como Jair Bolsonaro, tem as redes sociais como seu partido político.
O “partido redes sociais” é uma máquina digital poderosa. Hoje, não basta a máquina do governo (Vidigal) e nem bastam os apoios políticos (Vidigal com o governador Casagrande e Audifax com o PP, por exemplo).
Tomo a liberdade de recomendar aos senhores pré-candidatos que ouçam os cientistas de dados e auscultem as lideranças da sociedade civil da Serra. Aí, terão um retrato aproximado das aspirações e perfis do eleitorado do município.